Em busca do médico ideal – 25 semanas

Uma epópeia, posso bem dizer….

Quando engravidei, fui na minha family doctor. Como já tinha comentado, adoro ela, super gente boa, paciente, me escuta até demais, rsrs. Só que ela não faz parto, então iria me passar para um especialista.
O referral acabou demorando mais que o previsto pois estávamos pra mudar e não sabia ainda onde seria o hospital. Em agosto, nós finalmente nos mudamos e ela nos passou para uma clínica obstetra (é assim que escreve?).
Kam e eu fomos lá. Uns 30 minutos conversando com uma enfermeira (muito legal, diga-se de passagem), preenchendo centenas de papéis para sermos então, encaminhados para a sala de consulta.
Pra nossa surpresa, quem nos atendeu foi um estagiário. O pobre mal sabia o que perguntar, levou séculos pra calcular o due date e não sabia me explicar sobre as contrações de braxton-hicks nem. Obstetra? Quem? Não sei, não vi, não faço idéia de quem seja.
Pois bem, já saímos de lá com uma péssima impressão. E ah, ainda tivemos que pagar $35 de “taxas administrativas” pra transferir o meu histórico médico. Detalhe que nunca fui avisada disso e não foi a minha escolha de ir praquela clínica, mas enfim.
Domingo passado resolvemos ir no hospital para levar o pre-registration form. Ninguém sabia informar nada, ajudar nada. Sabe aquela atitude de “I don’t know, it’s not my job, go ask someone else”? Isto no andar da maternidade, detalhe. Queríamos perguntar sobre o maternity tour e ninguém sabia me dizer como fazer pra marcar. Saímos de lá p*** da vida.
Consegui o telefone pelo google. Quando liguei, era pra deixar recado que iriam me ligar em 10 dias pra marcar um horário. Sim, só pra marcar.

Comecei então a pensar em ir em uma midwife. Já tinha ouvido coisas muito boas, consegui mulheres que foram em midwives e acharam a experiência mil vezes melhor. Então toca a procurar por uma. Entrei no site do BC Midwife Association e comecei a ligar pra todas que atendem na minha área. Todas já estavam cheias para dezembro.

Das que eu não sabia que poderiam me atender, consegui deixar recado em 2 clínicas e 2 midwives independentes (que não trabalham em clínicas).

Três me retornaram no mesmo dia (mesmo que fosse às 9 da noite, como aconteceu). Uma delas me ligou pra dizer que, infelizmente, não tinha mais horário até lá, mas que, se por um acaso não conseguisse ninguém ninguém mesmo, era pra ligar que ela ia dar um jeito. A 2a., tinha espaço mas só atende num hospital loooooooonge pra burro, em North Vancouver (que fica há mais de 1 hora de casa), ou seja, não iria rolar.

Quando uma das clínicas ligou, expliquei minha situação, que estava perdida, com um obstetra que não sabia quem era, que tinha odiado aquela clínica e o hospital, com 25 semanas e total desconhecimento do que vem pela frente (mãe aqui do lado faz taaaaanta falta a essa hora….). A secretária disse que elas tinham um último espaço pra dezembro e, se quisesse, poderia ir lá no dia seguinte, pra conversar com a midwife.

Claaaro que larguei tudo pra ir, né? E qual não foi a minha surpresa ao ver que eu adorei? 1 hora de consulta (o padrão pra elas), conversamos muito, deitei no divã (sim, ela tem um divã, rs rs), conheci o filhinho dela de 2 anos (um fofo) e a outra midwife que faz parceria com ela. Me espantei, sim, é possível ter um atendimento mais humanizado sem perder de vista o lado médico.

Na 2a. feira vou ligar naquela outra clínica pra cancelar, pois a) eu odiei e b) o plano do Governo cobre um ou outro, não os dois.

***

Pra quem não sabe o que é uma midwife. Em português, seria uma parteira. Mas atualmente, a idéia de parteira é bem diferente do imaginário popular (sabe aquela senhorinha que fez centenas de partos lááááá nos cafundós dos judas e tudo que ela sabe é fruto da experiência? Pois é, apaga essa idéia). Aqui no Canadá (assim como nos EUA, na Inglaterra e em vários outros países), elas têm uma educação formal, são licenciadas e tem um organismo regulatório. Em British Columbia, o curso de midwife é dado na Universidade de British Columbia (UBC) e é um bacharelado de 4 anos. Elas têm que fazer residência antes de se formarem.

Se algo não vai bem na gestação, elas consultam médicos para determinar qual é o melhor acompanhamento pra gestante. O parto pode ser em casa ou no hospital, com ou sem anestesia, tudo a critério da mãe. Se houver a necessidade de uma cesária, um obstetra entra em cena. As midwifes têm critérios bem específicos para avaliar a necessidade ou não de uma mudança de médico.

Para quem quer ler mais, o site indicado é este: Midwives Association of British Columbia.

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4 thoughts on “Em busca do médico ideal – 25 semanas

  1. Oi Fê,

    Muito bom saber disso! Provavelmente terei meus filhos por aí e não posso dizer que não fico um pouco assustada com esse sistema que é completamente diferente do nosso.

    Boa sorte com sua midwife! 😉

    Beijos,
    Mari

  2. O sistema médico aqui é meio complicadinho mesmo.
    Eu DETESTO meu family doctor e há quase 1 ano tento trocar mas não consigo encontrar.
    Há uns 3 meses consegui marcar com uma family doctor pra outubro. Espero que ela seja melhor que o meu porque se consultar com múmia é uma dureza, viu?
    Imagino você que tem um bebê que não pode ficar esperando.
    Enfim, que bom que tudo se resolveu da melhor maneira.
    Beijos e boa sorte.

  3. Fer, que ótimo!!! Elas são realmente a melhor opção pra mulher… eu me consultei com uma obstetra por uns 3 meses. Ela era razoável, mas não atendia minhas expectativas e era SUPER impessoal. Eu tô nas nuvens com as parteiras – as mesmas que você! 😉

    E olha, se tiver dúvidas e quiser compartilhar com alguém que já passou por isso, estou aqui, viu! 🙂

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