Certas coisas me tiram do sério…

Semana passada fomos para downtown de ônibus, Valentina, Kam e eu. Como ele voltou a trabalhar esta semana e eu (ainda) não tenho carta, vou depender de transporte coletivo pra ir pra cima e pra baixo com a baixinha.

Os ônibus aqui são equipados com lift (espécie de elevador) ou rampa, próprios para cadeiras de rodas e carrinhos de bebê. Há espaço reservado e normalmente as pessoas respeitam.

Como foi a primeira vez que eu estava pegando ônibus com a Valentina, o Kam resolveu ir comigo para vermos como é, se é viável, seguro, etc.

O problema começou antes mesmo de entrarmos no ônibus pois o motorista simplesmente se recusou a baixar o lift para mim, pois segundo ele “como estamos em dois”, podemos muito bem levantar o carrinho dois degraus acima, sendo que eu ainda estou me recuperando do parto, detalhe. No começo achamos que lift estava quebrado ou algo assim para o motorista não baixar. Quando chegamos em downtown, o Kam perguntou pra ele o motivo e ele disse que o Kam, como meu marido, “tem a obrigação” de carregar o carrinho. Fala sério! :@

Obviamente que o Kam virou bicho, né? Os dois começaram a discutir até o Kam ameaçar chamar a polícia pois o cara não parava de gritar e xingar. Quando finalmente resolveu baixar o raio do lift (que é só apertar um botão e leva 1 minuto, se muito!!!), ele virou para os outros passageiros e soltou a pérola: “senhores passageiros, nós iremos demorar mais do que o planejado pois ele (Kam) não quer ajudar a mulher e eu terei que baixar o lift” e ainda mostrou “as costas” pro Kam. Só sei que o Kam ficou xingando ele no meio da rua pra todo mundo ouvir.

Gente, a Valentina só tem 1 mês e meio! Ainda não tem o menor controle do pescoço e da cabeça. E se algo acontecesse quando estávamos levantando o carrinho, quem seria responsável??? Ficamos tão bravos que, ao chegarmos em casa, ligamos pra Translink e deixamos recado reclamando do cara. E mandamos também um email pelo form disponível no site e ainda mandamos uma carta de quase 4 páginas, registrada, para o Board da Translink, diretamente para o responsável pela segurança no transporte.

Pelo menos já tive retorno da Translink sobre a reclamação. Passei todos os dados -horário que pegamos o ônibus, número do ponto, número do ônibus, descrição do motorista, o que aconteceu- e eles ficaram de repassar para o supervisor da área em que a linha circula. Entre 7 e 10 dias devo ter uma posição sobre isso. E quer saber? Tomara que este cara seja demitido. É o mínimo, né?

Pra compensar, no mesmo dia pegamos outro ônibus e o motorista foi SUPER prestativo. Baixou o lift sem termos que pedir, cumprimentou com um bom dia, sorriso no ônibus e me ajudou a sair. E sobre este motorista, eu fiz questão de falar quando fiz a reclamação. Quando o serviço é bom, acho que devemos sempre falar pois pra reclamar é um 1 segundo mas são raras as vezes que ouvimos alguém elogiar, né?

Amanhã pego ônibus de novo, quero só ver como vai ser….

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10 thoughts on “Certas coisas me tiram do sério…

  1. Nossa, Fê, foi um segundo parto pegar esse primeiro ônibus, hein? Quando morei aí, no geral, os motoristas eram bem atenciosos… Esse aí devia estar de TPM! 😉

    Beijos, Mari

  2. Ei! sem obviamente dar razão alguma para o cara, eu contei o que aconteceu aqui em casa e o James, que anda muito de onibus e (é homem) me disse o seguinte: geralmente se a mulher está sozinha o cara baixa sem problemas, mas eles esperam ou assumem ( no caso o cara impôs) que o homem vai se oferecer pra carregar o carrinho. Ele usou a expressao “to man up”, e ainda observou que se tem homem subindo, mesmo nao sendo seu marido, eles ainda esperam que um deles ou até 2 se ofereçam para carregar o carrinho. Pra mim ficou claro isso. As pessoas assumem que vc é obrigado a agir de acordo com as espectativas culturais delas. O idiota não sabia que vcs estavam até treinando para quando vc estivesse sozinha e que a situação estava até carregada de preocupação por parte de vocês dois.
    Agora eu em Toronto uma vez me ofereci pra ajudar uma moça com 1 carrinho e 2 crianças (uma no carrinho) e a outra pequena, a subir uma longa e íngrime escada do metrô porque NENHUM homem demonstrou possuir testosterona canadense suficiente para ajudar. hahaha. Será que o motorista teria ajudado? Completando o James achou muito estranho pois leva 2 segundos pra baixar e levanr o lift e eu concluo: o cara foi racista. Ele percebeu que vocês sao imigrantes. PONTO! hahaha beijos

  3. Já que a moda é impôr, venho aqui exigir a implementação de uma regra nova para esse blog! Todos os posts precisam vir com fotos novas da Valentina! A foto no Post! A partir de hoje, se não tiver foto, não deixo comentário. Considero a regra por mim implementada!
    Assinado: titia Lu

  4. Oi Fernanda,

    De vez em quando passo por aqui, e hj resolvi comentar.
    Eu moro aqui em North Van e sempre uso ônibus. E uma
    das coisas q mais eu admiro é o cuidado dos motoristas
    com as famílias com bebes , crianças e idosos. Já vi o
    motorista sair do volante pra ajudar mães com crianças e
    carrinhos.
    Eu penso q o cpt. desse q vc pegou hj, foge ao normal.
    Estarei na torcida para q vc sua princesa possam passear
    tranquilamente, no transporte público.
    Abração, Neuzinha

  5. Oi Fernanda; Pois aqui em Toronto é a mesma coisa, tem motorista de bom humor e outros de péssimo humor, já tiveram vários casos de agressão e a a companhia de ônibus quer colocar uma proteção de vidro/plástico para os motoristas. Mas eu acho que eles deviam primeiro pesquisar o porquê das agressões. Mas ainda existem boas pessoas nesse mundo….bjs,

  6. Realmente impressionante a ma’ vontade do motorista, nao sao nem 15 segundos pra levantar aquela rampinha do onibus… Nao da’ pra alegar que atrasaria a viagem.

    Nunca vi nenhum motorista recusar a acionar a rampa aqui em Sudbury, mas de vez em quando a gente pega uns mais grossos tambem. Que bom que voce teve retorno sobre a sua reclamacao, na minha cidade todo mundo sabe que nao adianta reclamar, a resposta deles e’ sempre a mesma: o responsavel pelas reclamacoes esta’ de ferias, ligue novamente em 2 semanas. E se voce, otario, ainda lembra de ligar de novo em 2 semanas, vai ser informado que o cara so’ volta de ferias em outra semana e assim vai… Eu quase cogitei aparecer no escritorio deles quando tive problemas com o servico, mas eles nao divulgam o endereco – claro.

    Bem, espero que voces tenham mais sorte com os motoristas de agora em diante!

  7. Ainda assim, é tudo muito mais civilizado que aqui na Bahia onde nem se pode andar com carrinho na rua, exceto nos shoppings. Beijos

    cheguei aqui pela Denise. Vou me inteirar das notícias sobre a Valentina. Saúde para os três!

  8. Não esqueça de nos atualizar sobre o que aconteceu com esse idiota.
    No início do ano passado eu pegava uma linha que estava sempre lotada quando eu ia trabalhar, e um certo dia uma funcionário do sistema de transporte tirou uma senhora que estava com um carrinho de bebê dentro do ônibus. Eu não entendi nada! Será que não pode levar carrinho no ônibus em horário de pico?

  9. Ola! Minha primeira vez no seu blog e fiquei impressonada com esse motorista… aqui em Vancouver sao raras as vezes que esse tipo de coisa acontece, mas acontece. E fiquei bem feliz por que voce reclamou, por que so assim que a empresa pode tomar uma atitude e demitir o motorista.
    Ja vi um motorista que nao deixou um senhor – na cadeira de rodas – subir no onibus, foi horrivel.

    Conte-nos o desfecho desta estoria : )

  10. Nossa, não deixar alguém de cadeira de rodas entrar é absurdo meeeesmo! Eu já teria ligado na Translink na mesma hora!
    Por enquanto não deu em nada. Fomos numa reunião lá, mas nada de retorno ainda. Tem cheiro de pizza no ar…

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