Semana Mundial da Amamentação

Há muito tempo venho querendo escrever sobre a minha experiência com amamentação.

Desde sempre tive comigo que amamentar é o melhor para qualquer bebê. Seja pelos anticorpos passados, pela nutrição, pelo vínculo que se forma, tudo. Quando engravidei, não passou pela minha cabeça a possibilidade de não amamentar. Afinal, pensava, toda mulher tem leite, só não amamentava quem não quer ou não teve a orientação correta.

Durante a gravidez, li muito, vi vídeos, participei das aulas de pré-natal, de fóruns. Enfim, fiz a minha lição de casa. Por volta dos 6 ou 7 meses já tinha colostro, ou seja, tudo indicava que eu não iria ter problemas.

Quando a Valentina nasceu (14 horas de trabalho de parto e fórceps no final) não tive nem colostro. A primeira noite, com ela chorando horrores, nada de nada no peito, imaginem meu estado. Veio a enfermeira, me ajudou a expressar 2 gotas de colostro e foi só o que saiu. Ela me ensinou a usar a bomba de leite e mesmo assim, não saía nem 5ml. E a Valentina com fome. Eu já tava lá a dois dias e ainda não tinha conseguido dar de mamar direito.

A parteira não ajudou muito, só fazia explicar as posições e nada mais. Até que na 3a. noite outra enfermeira veio com 40ml de fórmula que a Valentina tomou em 2 segundos e meio.

Na hora me deu um troço que desandei a chorar. Foi muito frustante tentar dar o peito, ela pegar e não sair nada, e ainda vê-la chorar de fome.

Quando saí do hospital, passamos na farmácia para alugar uma bomba e tínhamos 4 latinhas de fórmula (cada uma para 1 mamada). Em casa, tentava tirar leite e nada. Tomei remédio, deixava ela no peito o tempo todo e fazia livre demanda.

Quando resolvi não complementar o tempo todo e “forçar” a amamentação, ela não ganhou peso nenhum. Estava dando mamadeira 1x por dia só.  Pra ajudar nenhuma das duas parteiras que me acompanharam no pré-natal foram de muita ajuda. A que eu gostava mais me saiu com essa: “É, tem mãe que não tem leite mesmo, você vai ter que complementar”. Buscar alguma alternativa? Checar a pega? Verificar a mamada, se ela tá tomando o leite gorduroso também? Não, nada disso.

E eu, sozinha num país sem a família, primeiro filho, totalmente perdida, depressão pós-parto, tudo ao mesmo tempo, obviamente que ia fazendo o que ela sugeria.

Não podia ir em uma clínica de amamentação antes das 6 semanas porque teoricamente a parteira é quem tem que dar a orientação até lá. Finalmente, com 8 semanas e muita insistência, consegui ir em uma clínica em Coquitlam.  A consultora olhou, disse que a pega tava boa, sugeriu comprar concha (que eu já tinha!) e só. Mais uma tarde perdida… e nisso eu só de olho no peso dela. Foram 2 meses para ela ganhar 1kg, um toquinho.

Quando ela tinha mais de 3 meses, finalmente consegui ir numa outra clínica em Vancouver, que já tinha ouvido falar muito bem. Lá me ajudaram mais, e sugeriram a sonda de relactação. Com a sonda, pela primeira vez desde que ela nasceu, a Valentina MAMOU efetivamente e eu quase que não acreditei. E por quase 2 meses fomos indo aos trancos e barrancos. Às vezes ela aceitava, normalmente não. Mamava sem a sonda por 1 minuto e olhe lá.

Meus peitos nunca encheram efetivamente e continuo usando o mesmo número que usava antes de engravidar. Não mudou nem 1mm nem antes, durante ou depois da gravidez. Pra “ajudar”, não tive MUITO apoio em casa. Apesar da intenção ser boa (me deixar descansar), a iniciativa do marido de dar a mamadeira de madrugada também contribuiu para o não-sucesso. Ter que ouvir ainda da família que “isso também aconteceu comigo, é de família, etc” também me matava.

Quando fui pro Brasil, Valentina resolveu de vez que não queria mais e eu, tão frustada e estressada por conta dessa batalha de todos os dias (sim, era uma batalha) acabei não insistindo mais. Ela ficou só na fórmula, não teve rejeição de leite, não ficou ressecada/constipada, não teve refluxo, nada.

E eu me remoendo internamente. Via (e isso até hoje) as mães amamentando tranquilamente até 2-3 anos, outras precisando doar leite por conta da super-produção (500ml em 20 minutos de bomba? Aqui em casa é sonho até hoje! O máximo que eu consegui foi 30ml em mais de 40min de bomba), outras escolhendo não amamentar ou sequer tentando…. tudo isso dói. Fico me pensando no que fiz de errado, imaginando se não podia ter sido diferente, ter a baixinha amamentando até hoje ou até quando ela quisesse…

Ainda estou em processo de aceitação do fato de não ter conseguido amamentar. Já ouvi muita gente dizer que “no próximo filho você faz diferente”. Mas, e se eu não quiser outro filho? Não quero ter outro bebê para corrigir os erros da primeira viagem. Estou começando a aceitar isso e entender que não foi por falta de tentar. Vendo a baixinha linda, saudável e gorducha me dá forças pra entender que eu tentei e tenho hoje uma filha linda.

♥♥♥

Mas, sendo a Semana Mundial de Amamentação, queria deixar um presente para uma pessoa que admiro muito. Ela amamentou as filhas por mais de 5 anos, no total. Com cirurgia no peito, todo mundo dizendo que ela não ia conseguir, e sim, conseguiu. A mais nova parou de mamar agora, com 1 ano e meio, com calma, tranquilidade e muito amor.

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4 thoughts on “Semana Mundial da Amamentação

  1. Amiga querida quase choro !! Amei , amo essa fase de amamentar …Por mim teria uma filhotinha a cada dois anos e amamentaria todos exclusivos.
    Bjos,

  2. Olá, primeiro quero te parabenizar por tentar, segundo te dizer que estou passando pelo mesmo problema…igualzinho tentei … tentei e até agora nada no máximo tiro 20ml e meu bebê já está com 2 meses. Como me frustra ver que tem mães que não amamentam pq não querem, que ódio vê-las vazando leite e negando ao bebê.
    Estou solicita a sua dor que com toda certeza é igual a minha bjos e novamente parabéns.

  3. Nossa que post mais lindo! minha bebe fara 2 aninhos o mes q vem e amamento ate hj, gracas a Deus dei bastante leite, acabei de ter (2meses) outro bebe e na gravidez todo mundo me chamando de doida por amamenta-la mesmo gravida, a familia do meu marido caiu em cima de mim falando um montao de baboseiras, fiquei dias e dias pesquisando na net pra ver se tinha problemas, falei com a enfermeira daqui e ela disse que nao tinha nenhum problema..bom..segui meu coracao e nao deixei de amamenta-la nunca, o bebe nasceu e amamento os dois, meu bebe e mais faminto e tenho que dar mamadeira tbm, fico muito cansada, me sinto fraca muitas vezes mas nao me importo, nada como te-los nos meus bracos mamando, sensacao maravilhosa. Parabens por fazer de tudo para amamentar sua filhinha.

  4. Passei por um problema parecido com o seu. Quando estava grávida do 1o filho, sendo fonoaudióloga, estudei e (achava que) sabia tudo sobre amamentação, eu sonhava que estava amamentando e achava que só mulheres preguiçosas e egoistas não amamentavam seus filhos. Só que… eu tive pouco leite e acreditando, comoos livros dizem, que não existe pouco leite, deixei meu filho sugar e chorar dia e noite, eu tomava 5 litros de água, todos os remédios e alimentos que diziam ser bom para o produção de leite, até que no dia que ele fez 2 meses o pediatra disse que ele estava entrando em desnutrição e precisave de complemento, eu fiquei destruída, não conseguia dar mamadeira, dei na seringa, ele vomitou horrores, no dia seguinte consegui uma pediatra que me indicou o sistema da sonda (da marca medela) e assim consegui amamentar o Felipe até 1 ano de idade. Fica a dica para outras mamães e futuras mamães: EXISTE pouco leite e as mães não tem CULPA disso, o importante é darmos o afeto e cuidados necesários para nosso bebês.
    Parabéns pela filhota, pela luta e por todas as vitórias da gorducha,
    bjs
    Marcia

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