• um nome: Fernanda
• umα dαtα: 17/09/1980
• um lugαr: meu cantinho
• meus olhos: pensativos
• pior coisa: ver minha filha com dor
• meu cabelo: castanho, queria que fosse mais cheio
• um desejo: poder estar sempre em casa com minha pequena
• umα cor: vermelha
• umα pessoα: Valentina
• um diα dα semanα: sábado
• um número: 8
• umα letrα: F
• um time: Brasil
• uma paixão: Kamran, meu marido
• um sentimento: paz
• umα cidade: Vancouver/ Port Moody, daqui não saio, daqui ninguém me tira
• um gesto: doar
• umα estαção: primavera
• sol ou luα: lua
• chiclete ou bαlα: chiclete
• piscinα ou praiα: praia
• diα ou noite: noite
• escada ou elevador: elevador, já basta ficar correndo atrás da Valentina-ligada-nos-220v
• um animαl: cachorro
• o pior sentimento: rancor

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O filho dos outros

Você ouve sua amiga falar dos filhos quinhentas vezes por dia. E nas quinhentas vezes, você dá algum palpite, lembrando de como sua mãe fez com você, com sua irmã, ou como a tia da filha da vizinha trata os afilhados do ex-marido.
Acha que sabe tuuuudo. Afinal de contas, criança é tudo fácil, né? Quando você era pequena, não tinha destas de “estilo de criação” isso ou aquilo, milhares de fóruns no Orkut para discutir se o castigo A é melhor que o B e se não vai criar traumas. Trauma? Que é isso? “Na minha época”, pensa, era tudo muito mais fácil. A gente ia pra escola, voltava pra casa, fazia a lição e dá-lhe TV o resto da tarde.
Tudo bem que de vez em quando tinha uma natação aqui, uma aula de inglês ali, mas era tão raro isso! Aí você escuta sua amiga falar, pela 500a. vez, que a filha mostrou a língua, mas que não queria brigar com ela pra menina não ficar traumatizada.
[…acelera o relógio em uns 10 anos…]
Um dia, você se descobre grávida. Tá, nem foi tanta surpresa. Você já tava casada/juntada há uns anos, estavam planejando e já tinham mandado a camisinha e a pílula pras cucuias. Mas enfim, você se descobre grávida.
E descobre que não entende nada de gravidez nem bebês. E aqueles conselhos todos que você dava praquela amiga? Esqueceu tudo, passou branquinho!
Começa a devorar quinze mil livros sobre gravidez semana-a-semana. Todos falam a mesma coisa: “a partir da 6a. semana começam os enjôos”; “você entrou no 2o. trimestre de gravidez e os enjôos são coisa do passado” (embora a lata de lixo do trabalho continue a ser a sua melhor amiga de manhã).
Conforme as semanas vão passando, passa a devorar quinze mil livros sobre parto e cuidados com o recém-nascido. Entra em pânico porque descobre que nunca fez idéia de como se limpa umbigo de bebê. Fralda? Xi….
Aí chega o bebê, bebê cresce e vira uma criança. Aos dois anos é praticamente independente. Sabe abrir a geladeira e pegar o pote de iogurte pra te dar. Aprendeu a pôr a bota de chuva e o casaco. Dá tchau pra você e sabe abrir a porta. Dá aqui a pouco já tá até pedindo a chave do carro, antes dos três anos, claro.
E com a chegada do bebê, você passa a ligar pras suas amigas 500 vezes ao dia contando tudo que ela fez. Ela sorriu pra mim, conta, emocionada com o primeiro sorriso do bebê. Ela aprendeu a morder o pé. Ela fez xixi na casa toda. Sim, porque amiga que é amiga tem ouvido pras coisas mais escatológicas que sejam, desde que vindos do bebê, porque ninguém merece ouvir que você teve uma diarréia de perder 10kgs em duas horas.
E todos aqueles conselhos que você dava antes, agora parecem horríveis. “Não deixa muito no colo não senão a criança fica viciada e NUNCA mais vai querer outra coisa”. “Nossa, ela dorme com você? Conheço adolescente que dorme com os pais e nunca dormiu no próprio quarto!”.
Com a chegada dela, você descobre que tem intuição e que nunca consegue ficar longe dela. Sofre horrores quando resolve colocá-la na caminha dela (sim, a caminha que ela adora e dorme a noite inteirinha), porque os roxos nos braços depois de uma noite insone numa cama com três pessoas já não parecem tão atrativos.
Descobre que aquele berço que fez tanta questão de comprar não serviu pra quase nada. Foi um ótimo porta-roupa. A idéia de que bebê tem que dormir no próprio berço desde pequenininho lhe parece tão errada que não entende nem como é que pôde pensar assim.
E enquanto o bebê cresce, toda uma série de idéias pré-concebidas e palpites descabidos vão mudando e você vai se tornando uma mãe totalmente diferente daquela que imaginava que seria, dez anos antes.
Sim, agora é sua vez de falar pras suas amigas tudo que sua filha fez durante o dia. E ouvir os conselhos, os palpites, as dúvidas, tal qual dez anos antes. E o melhor, isso sempre com um sorriso no rosto.
A amiga? Continua te ligando quinhentas vezes ao dia para contar das peripécias dos filhos, agora já triplicados.