Educação financeira, quem tem?

Você foi educado financeiramente? Quer dizer, além daquela mesada e do famoso “dinheiro não dá em árvore”, que mais seus pais lhe ensinaram?

Eu descobri que não sou educada financeiramente. Sei que não devo estourar meu cartão de crédito e sei que devo gastar dentro dos meus limites. Mais, e o que mais? Tenho uma dificuldade imensa em lembrar pagamentos, saber quanto estou devendo no banco, planejar pra fazer alguma coisa, como viajar.

Aqui em casa estamos passando por um momento de aperto. Mesmo não fazendo nada de extravagante, como viajar ou comer em locais caros, o dinheiro não está dando. Pagamos as contas e não sobra mais nada. Depois de muitos meses frustados com isso, resolvemos tomar as rédeas da situacão. A primeira coisa que fizemos foi contactar um consultor financeiro do Credit Counselling Society. É um serviço gratuito, onde o consultor analisa todos os seus gastos.

É importante ressaltar que uma conversa em casal antes da reunião é super importante. O próprio consultor mencionou o que tem casal que descobre “segredos” só nessas horas…
O nosso plano ficou assim:

1. Criar uma tabela com todos os gastos do mês. Pode ser uma tabela conjunta, pra família, como pode-se usar um desses aplicativos disponíveis para iphone, ipad e android. O importante aqui é criar o hábito de anotar tudo o que a gente gasta, desde aquele cafezinho no intervalo do trabalho, até as contas de todo mês.
É chato? É. É difícil de lembrar? Sim. Mas a gente acostuma. O Kam faz isso há anos e eu comecei no mês passado.

2. Reveja seus gastos. Tá devendo no cartão mas tem separado dinheiro pra poupança? Pare de ecomomizar na poupança e use o dinheiro pra pagar o cartão. A interrupção será por uns meses, mas no final vai ser uma dívida a menos pra te tirar o sono.

3. Aquele café não precisa ser cortado. Mas dá pra diminuir. Aqui em casa, o que eu fiz foi comprar uma cafeteira (daquelas de cápsulas) e faço meu café com leite pro trabalho. Uma vez na semana eu me dou um café fora. E dá pra pegar um tamanho menor, né?

Ainda assim continua devendo? Veja os gastos do parceiro. Se ele/ela puder contribuir no pagamento da dívida, tanto melhor. Contanto, porém, que não fique ressentimentos do tipo “estou cortando o MEU café pra pagar a SUA dívida”. Segundo o consultor, é o que mais acontece: casal fica com ressentimentos, gerando problemas afetivos e quando se vê, o casamento acabou por causa dessas dívidas.

4. Cartão de crédito: precisa mesmo ter a carteira recheada de cartão de todas as bandeiras? Se contarmos os cartões que temos, o limite dá quase o dobro do meu salário anual. Preciso mesmo de uma dívida deste tamanho? Cortamos os cartões e deixamos o básico, dando preferência aos que tem taxa de juros mais baixa. Por exemplo, aqui varia entre 5,99% e 20% ao ano, da mesma bandeira, só muda o banco emissor.

O meu objetivo aqui é poder eliminar as dívidas e conseguir economizar um dinheirinho pra ir Brasil…. Quem sabe ano que vem não estou tomando sol em terras brasilis? 🙂

A lição que eu tirei da consulta foi que ainda tenho muito a aprender e que quero que a Valentina tenha mais sorte nesse sentido. Pai e mãe financeiramente educados tem mais chances de ter filhos financeiramente inteligentes. O que a gente não quer é que ela aprenda isso na porrada como nós.