A toalha mágica da Valentina

Há uns meses atrás, postei aqui sobre o pavor de banho que a Valentina tinha. Cada banho era uma tortura de tanto choro. Quando era dia de lavar a cabeça então, precisávamos ficar em dois pra segurá (e, principalmente, garantir que ela não ia cair e se machucar de tão agitada que ficava). Na época, até pensei em usar aqueles shampoos sem enxágue, mas não achei um que fosse pra crianças. Tentei de tudo, baldinho, chuveirinho, banheira, chuveiro normal, aula de natação…

Quando minha mãe veio pra cá, em dezembro passado, encarreguei-a de me ajudar nisso. Ela tinha duas semanas pra fazer a Valentina aceitar o banho. Não digo aceitar, mas pelo menos entrar na banheira sem gritar.

E as Princesas Disney entraram na história. Como ela anda numa fase princesa, minha mãe aproveitou o gancho pra mostrar como elas têm o cabelo lindo… como a Ariel adoooora ficar na água, e por aí vai. E sempre fazendo palhaçada. E não é que deu certo? Ela passou a curtir o banho, brincar com a água e ir sem chorar. Mas pra lavar a cabeça continua o drama.

Um dia, experimentei perguntar se ela queria cobrir o rosto igual ao do bebê que lemos num livro (Tubby, de Leslie Patricelli). E não é que ela aceitou? Isso porque já tinha tentado antes.
Peguei uma toalha qualquer que tinha em casa e expliquei que aquela era a toalha só da Valentina, e que era MÁGICA. Sim, a toalha especial dela, que vai proteger na hora de lavar a cabeça.

Bem, só sei que a tal da toalha tem nos acompanhado firme e forte nos banhos. Agora ela tem até aceitado o shampoo, um rosa das Princesas (claaaaro), fedido pra burro, mas que ela quem escolheu na farmácia.

Mas olha, até chegar onde estamos hoje (dela aceitar o banho foi uma batalha. Meses e meses nessa fase enquanto eu entoava o mantra velho conhecido de qualquer mãe ou pai “ooooohmmmmmm, vai passaaaaaaaaaaar… ooooohhhhmmmmmmm, é só uma faseeeeee”…..

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Escola de verdade, mas já?

A Valentina tem 3 anos e 4 meses. É uma “preschooler”, como eles chamam por aqui. Vai pra escolinha, onde fica o dia todo, das 7 da manhã até às 5 da tarde.

Lá, ela passa o dia brincando, correndo, fazendo atividades, aprendendo letrinhas. Almoça, brinca no parquinho, faz a soneca sagrada de todos os dias.

Pela lei, ano que vem ela já começa a escola regular. Vai pro kindergarten no ano em que completa 5 anos. Tudo seria tranquilo se não fosse alguns detalhes: o aniversário dela é só no final do ano, então ela começaria na escola – em setembro – com 4 anos e meio. Só eu estou achando muito pouco pra ficar na escola o dia inteiro (as aulas são das 9:00 às 3:00 da tarde), sem soneca, já alfabetizada?

Fui pesquisar mais sobre isso e descobri que meu distrito escolar (Coquitlam School District – SD43) permite que espere mais um ano para ela começar. E isto é particularmente beneficial para as crianças que fazem aniversário depois de setembro.

Costumo dizer que, se a Valentina tivesse nascido de 40 semanas e 2 dias, ela já seria de janeiro, ou seja, as chances dela ser a mais nova da classe são grandes.
Em março, o  jornal Vancouver Sun publicou uma matéria interessantíssima sobre a ligação entre transtornos de atenção e a idade das crianças. A matéria mostra que, das crianças “diagnosticadas” com ADHD (Attention Deficit and Hyperactivity Disorder) são normalmente as crianças mais novas da turma. Por que? Muito provavelmente porque numa turma onde a diferença pode ser de até um ano, o grau de atenção e concentração pode variar demais.

Como esperar que uma criança de 4 anos e meio tenha o mesmo nível de concentração que o coleguinha que tem quase 6 anos e está na mesma sala? Parece óbvio, mas não é. Muitas crianças começam a escola novinhas e não tem problemas, mas imagino que possa ser a exceção.

Eu mesma fui uma criança adiantada em relação aos meus colegas. No começo, foi fácil, como costuma ser mesmo. Porém, aos poucos, as dificuldades começaram: ficava de recuperação todo ano até que, na 5a. série, repeti. E sinceramente, foi a melhor coisa. Mudei de escola, e não fiquei mais de recuperação até o colegial.

Outra coisa que me preocupa é bullying. Será que o fato dela ser a mais nova da turma não poderia causar problemas com as outras crianças? Ela vai ser mais imatura que os coleguinhas, talvez estes não tenham paciência com ela ou achem-na muito “infantil” pra eles. Tá, são suposições, eu sei. Nada disso pode acontecer, ou pode acontecer mesmo mais tarde, não temos como adivinhar.

Ontem estava lendo uma matéria edição de março da Today’s Parents justamente sobre isso, se era válido esperar mais um ano. E a grande maioria dos pais e especialistas entrevistados concorda que sim, é melhor esperar. Os motivos, além dos já citados, vão da maturidade emocional até a necessidade da soneca à tarde e o estresse de ficar o dia todo na escola, sem descanso. Por outro lado, muitos pais justificam a entrada no kindergarten como um rito de passagem para a “escola de verdade”, na 1a. série. Dizem que o kindergarten é como se fosse uma creche pra crianças maiores, que não há imposições acadêmicas e que, claro, tem o fator econômico, já que os pais economizam na creche (que pode chegar a mais de CAD$1500 por mês aqui em Vancouver).
Claro que o fator dinheiro mexe, e muito, com nossas convicções. Mas é um ano. Não estamos falando de gastar uma fortuna por mais 10 anos, mesmo porque apesar da escola ser gratuita, ainda há o “after school program”, para crianças de até 12 anos, cujos pais trabalham o dia todo e não podem buscá-los às 3 da tarde. E isso também custa dinheiro, na faixa de CAD$400 por mês.
Vou observando a pequena ao longo deste ano e ver como ela amadurecendo. Pode ser que até ano que vem, eu mude de idéia e ache que ela está pronta pra começar a escola “de verdade”…