O que seu filho faz durante o dia?

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Hoje cedo vi esse desenho e notei que é exatamente assim aqui em casa. Vou pegar a Valentina na escola e sei que ela fez um monte de coisa porque a) a roupa volta imunda e b) eu vejo o programa do dia. Mas vai perguntar pra ela o que ela fez. A resposta é sempre um “não sei” ou “nada”.

A dica que funciona aqui em casa é sempre fazer pergunta específica. Perguntar genericamente “o que você fez hoje” não funciona. Eu pergunto sempre se ela brincou, se comeu o almoço, se leu um livro, se correu muito, ou seja, dou exemplos do dia-a-dia.

Claro que os pais ficam de cabelo em pé. Oras, como não fez nada? O que a professora está ensinando? Como assim meu filho não está prestando atenção?

Na verdade, não é nada disso. Às vezes, é tanta informação para a criança processar que ela não sabe nem o que responder. Então solta um “não sei”. Já pararam pra ver o tanto de coisa que a criança tem durante o dia todo na escola? É livro, colegas novos, playground, hora do almoço, atividades dirigidas, contação de história, o barulho do alarme, lembrar de pegar as coisas, casaco, bota, tênis pra usar dentro da sala, guardar tudo sozinha, lidar com as frustações e os problemas na sala, barulheira de um monte de criança falando e gritando ao mesmo tempo. Ufa, só de escrever isso eu cansei. Então imaginem alguém nesse contexto todo santo dia. Não é à toda que a criança chega em casa à noite e não quer nem falar sobre o que fez. O cansaço mental é demais.

Então, se você quiser saber o que seu filho anda fazendo e aprendendo, o melhor é a) pergunte à professora (em tempos de email, melhor coisa!) e b) deixa a criança descansar e mais tarde, naquele horário gostoso juntinho, pergunte coisas simples do tipo “você leu um livro hoje?” e coisas assim. Vai ver como a criança estará bem mais disposta a conversar!

 

 

 

O que é o Reggio Emilia?

Aqui a entrada no kindergarten é quase como um rito de passagem para a criança. Significa a entrada na escola de verdade, “escola de criança grande”, como diz a Valentina. Todo ano é a mesma coisa: quem tem filho pequeno sempre pergunta pra outra mãe/outro pai onde o filho vai estudar, que tipo de programa vai fazer.

O meu distrito escolar tem uma boa variedade de programas: normal (com as aulas em inglês), imersão em francês, imersão em mandarim, Montessori, Reggio Emilia, International Baccaleraute (para os alunos mais velhos), programas para crianças super-dotadas, programas para crianças que acabaram de se mudar e não falam inglês e vários outros. Comparando com outros distritos, posso dizer que tenho sorte neste quesito.

Já comentei aqui que a Valentina vai fazer o programa do Reggio Emilia. Depois de muito pesquisar, olhar as minhas opções na região, ver que a escola mais perto não atende ao que quero, resolvemos colocar nossas fichas neste programa novo. Começou ano passado e só tem duas escolas em toda a Grande Vancouver com Reggio Emilia, a que ela vai e outra em Burnaby.

O que é o Reggio Emilia? A abordagem de Reggio Emilia para a educação está comprometida com o estabelecimento de condições para a aprendizagem, que irá melhorar e facilitar a criação de “seus próprios poderes de pensar, através da síntese de todas as linguagens expressivas, comunicativas e cognitivas” das crianças.

É um sistema que se presta a: o papel da colaboração entre crianças, professores e pais, a co-construção do conhecimento, a interdependência entre a aprendizagem individual e social e do papel da cultura na compreensão dessa interdependência. (Baji Rankin, 2004).
No coração deste sistema é a imagem poderosa da criança. Educadores de Reggio não vêem as crianças como recipientes vazios que exigem o preenchimento com os fatos. Ao contrário, eles vêem as crianças como cheio de potencial, competente e capaz de construir suas próprias teorias. Os direitos das crianças escritos por Loris Malaguzzi melhor descreve como as crianças são vistas.
As crianças têm o direito de serem reconhecidas como sujeitos de direitos individuais, legais, civis e sociais, como a origem e os construtores de sua própria experiência, e, portanto, participantes ativos na organização de suas identidades, habilidades e autonomia, através de relações e interações com seus pares, com os adultos, com ideias, com objetos, e com os eventos reais e imaginários de mundos intercomunicantes. Tudo isso ao estabelecer as premissas fundamentais para a criação de “melhores cidadãos do mundo” e melhorar a qualidade da interação humana, também credita crianças, e cada criança, com uma extraordinária riqueza de habilidades inatas e força, potencial e criatividade. Sofrimento irreversível e empobrecimento da criança é causada quando esse fato não é reconhecido.
A partir deste ponto de referência, reconhecemos o direito das crianças a perceber e expandir seu potencial, colocando grande valor na sua capacidade de socializar, recebendo seu carinho e confiança, e satisfazer as suas necessidades e desejos de aprender. E isto é tanto mais verdade quando as crianças são tranquilizado por uma aliança efetiva entre os adultos em suas vidas, os adultos que estão sempre prontos a ajudar, que colocam maior valor na busca de estratégias construtivas de pensamentos e de ação do que na transmissão direta dos conhecimentos e habilidades. Estas estratégias construtivas contribuir com a formação da inteligência criativa, pensamento livre, ea individualidade que é sensível e consciente, através de um processo contínuo de diferenciação e integração com outras pessoas e outras experiências. O fato de que os direitos das crianças são reconhecidos como os direitos de todas as crianças é o sinal de uma humanidade mais realizado.

Um sonho de escola

Esta semana a Valentina começou a escola. E, olha, preciso dizer que fiquei impressionadíssima com as salas e o espaço aberto. Excelente!

Nestes dias ela teve poucas horas dentro da sala, parte do chamado “gradual entry” (adaptação gradual). Como é? Para as crianças do kindergarten, a pré-escola no Brasil, a primeira semana é para conhecer a escola, os colegas, os professores e, aos poucos, se acostumar com a nova rotina.

Até dois anos atrás, a maioria das escola tinha kindergarten somente em meio-período, das 9h às 12h. Agora, todas as escolas públicas da província têm kindergarten em tempo integral, das 9h às 15h. Isso implicou em, claro, aumentar a capacidade das escolas, acostumar os pequenos a passar o dia lá, sem soneca, com almoço por lá mesmo. Para as crianças que já ficavam em creche, como a Valentina, a mudança não é tão complicada, talvez, com exceção da soneca, que agora ela terá que cortar. As crianças que faziam apenas o preschool (jardim) ou ficavam em casa com um dos pais, terão um rotina completamente pela frente. Por isso, essa semana especial.

Cada escola tem um horário diferente. Na da Valentina, como está sendo: no primeiro dia foram só 45 minutos para todos alunos, do pré até a 5a. série. Apenas para conhecer a escola e pegar as primeiras orientações. Para os alunos da 1a. série em diante, os outros dias já eram com aulas normais, embora bem tranquilas até a semana que vem. Para ela, recebemos um calendário com os horários em que ela iria para a escola. Um dia foi meia hora na sala, com os pais juntos. No outro, 1 hora, sem os pais e aumenta gradativamente até a 4a feira que vem, quando as turmas estarão definidas e nós saberemos qual será a sala e a professora definitiva dela.

As escolas públicas não tem uniforme, apenas as particulares e as católicas (também particulares, mas a um preço bem mais acessível). Tenho sorte de morar num distrito escolar com MUITA opção de escola. Tem Montessori, imersão em francês ou mandarin, homeschooling, entre outros. Como o programa que a Valentina vai é novo e só tem na escola dela, o investimento lá está sendo grande. O parquinho está novo, acabou de ser reformado, as salas foram mudadas todas no ano passado, com móveis e decoração baseados no projeto do Reggio Emilia.

A escola é uma das menores do distrito. Ano passado recebeu somente 140 alunos. Havia turmas de 9-12 crianças, apenas. Como o número de matrículas, vinha diminuindo ao longo dos anos, a Secretaria de Educação escolheu a Meadowbrook para este projeto. Na província inteira, há duas escolas com o programa Reggio Emilia, a da Valentina e uma em Burnaby.

Alguns dos elementos da sala:

Elementos da sala

 

 

 

 

 

 
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Um palco, no meio da sala:

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Cantinho de leitura e futura área com as fotos de cada família:

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O natural e a tecnologia: Blocos de madeira para atividades diversas e o quadro-branco chama-se Smart Board. É como se fosse um tablet, onde a professora e as crianças podem escrever com canetas especiais ou o dedo. O material pode ser salvo no computador e enviado aos pais por email.

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Urso de pelúcia gigante do Canada Post no meio do corredor da escola:

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Um dos três parquinhos e a escola láááá atrás.

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Amanhã será um novo dia…

Amanhã vai ser uma dia muito especial na vida da minha pequena. Primeiro dia de escola! Primeiro dia de Kindergarten (ou o pré, no Brasil).

É praticamente um rito de passagem por aqui, a entrada da criança no mundo da escola de verdade. A primeira semana será de adaptação (dela e da gente, obviamente). Serão poucas horas de aula até a semana que vem, quando ela terá aula o dia todo.

Não sei quem está mais nervoso, eu ou ela, rs. Acho que pra ela a ficha ainda não caiu. Estamos conversando bastante sobre a escola nova, amiguinhos novos, como vai ser tudo diferente. Novas regras, rotinas… será que ela vai se dar bem? Ela será a mais nova da sala, já que faz 5 anos só em dezembro.

Como será que vai ser?