O que seu filho faz durante o dia?

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Hoje cedo vi esse desenho e notei que é exatamente assim aqui em casa. Vou pegar a Valentina na escola e sei que ela fez um monte de coisa porque a) a roupa volta imunda e b) eu vejo o programa do dia. Mas vai perguntar pra ela o que ela fez. A resposta é sempre um “não sei” ou “nada”.

A dica que funciona aqui em casa é sempre fazer pergunta específica. Perguntar genericamente “o que você fez hoje” não funciona. Eu pergunto sempre se ela brincou, se comeu o almoço, se leu um livro, se correu muito, ou seja, dou exemplos do dia-a-dia.

Claro que os pais ficam de cabelo em pé. Oras, como não fez nada? O que a professora está ensinando? Como assim meu filho não está prestando atenção?

Na verdade, não é nada disso. Às vezes, é tanta informação para a criança processar que ela não sabe nem o que responder. Então solta um “não sei”. Já pararam pra ver o tanto de coisa que a criança tem durante o dia todo na escola? É livro, colegas novos, playground, hora do almoço, atividades dirigidas, contação de história, o barulho do alarme, lembrar de pegar as coisas, casaco, bota, tênis pra usar dentro da sala, guardar tudo sozinha, lidar com as frustações e os problemas na sala, barulheira de um monte de criança falando e gritando ao mesmo tempo. Ufa, só de escrever isso eu cansei. Então imaginem alguém nesse contexto todo santo dia. Não é à toda que a criança chega em casa à noite e não quer nem falar sobre o que fez. O cansaço mental é demais.

Então, se você quiser saber o que seu filho anda fazendo e aprendendo, o melhor é a) pergunte à professora (em tempos de email, melhor coisa!) e b) deixa a criança descansar e mais tarde, naquele horário gostoso juntinho, pergunte coisas simples do tipo “você leu um livro hoje?” e coisas assim. Vai ver como a criança estará bem mais disposta a conversar!

 

 

 

No Brasil

Felicidade de mãe é ver sua filha -que tem pânico de molhar a cabeça e gruda em você numa piscina- finalmente se soltar e se permitir relaxar e descobrir como é bom estar na piscina (com bóia) sem se segurar em ninguém. As risadas de felicidade dela e o orgulho (chamando todo mundo pra ver) vão ficar pra sempre.

Você está gostando tanto, querida. Seu português melhorou um monte, você acorda com um sorriso lindo no rosto, está conhecendo sua família, perguntando pelos tios e primos, se empanturrando de arroz com feijão, morrendo de calor, percebendo as diferenças do português pro inglês…. Acho que essa viagem vai ficar na sua memória pra sempre, né?

Calendário, que é isso?

Ontem estávamos passeando com o Eithor e Valentina notou uma varanda toda decorada pro Halloween.

– Mamãe, look! It’s halloween! It’s scary! – diz ela, brincando.

– É, Valentina, é halloween! Você sabe o que a gente fala no dia do halloween?

Ela gritando mais alto que pode:  – MERRY CHRISTMAS!!

Dia das bruxas, natal, páscoa, é tudo a mesma coisa, né?

Escola de verdade, mas já?

A Valentina tem 3 anos e 4 meses. É uma “preschooler”, como eles chamam por aqui. Vai pra escolinha, onde fica o dia todo, das 7 da manhã até às 5 da tarde.

Lá, ela passa o dia brincando, correndo, fazendo atividades, aprendendo letrinhas. Almoça, brinca no parquinho, faz a soneca sagrada de todos os dias.

Pela lei, ano que vem ela já começa a escola regular. Vai pro kindergarten no ano em que completa 5 anos. Tudo seria tranquilo se não fosse alguns detalhes: o aniversário dela é só no final do ano, então ela começaria na escola – em setembro – com 4 anos e meio. Só eu estou achando muito pouco pra ficar na escola o dia inteiro (as aulas são das 9:00 às 3:00 da tarde), sem soneca, já alfabetizada?

Fui pesquisar mais sobre isso e descobri que meu distrito escolar (Coquitlam School District – SD43) permite que espere mais um ano para ela começar. E isto é particularmente beneficial para as crianças que fazem aniversário depois de setembro.

Costumo dizer que, se a Valentina tivesse nascido de 40 semanas e 2 dias, ela já seria de janeiro, ou seja, as chances dela ser a mais nova da classe são grandes.
Em março, o  jornal Vancouver Sun publicou uma matéria interessantíssima sobre a ligação entre transtornos de atenção e a idade das crianças. A matéria mostra que, das crianças “diagnosticadas” com ADHD (Attention Deficit and Hyperactivity Disorder) são normalmente as crianças mais novas da turma. Por que? Muito provavelmente porque numa turma onde a diferença pode ser de até um ano, o grau de atenção e concentração pode variar demais.

Como esperar que uma criança de 4 anos e meio tenha o mesmo nível de concentração que o coleguinha que tem quase 6 anos e está na mesma sala? Parece óbvio, mas não é. Muitas crianças começam a escola novinhas e não tem problemas, mas imagino que possa ser a exceção.

Eu mesma fui uma criança adiantada em relação aos meus colegas. No começo, foi fácil, como costuma ser mesmo. Porém, aos poucos, as dificuldades começaram: ficava de recuperação todo ano até que, na 5a. série, repeti. E sinceramente, foi a melhor coisa. Mudei de escola, e não fiquei mais de recuperação até o colegial.

Outra coisa que me preocupa é bullying. Será que o fato dela ser a mais nova da turma não poderia causar problemas com as outras crianças? Ela vai ser mais imatura que os coleguinhas, talvez estes não tenham paciência com ela ou achem-na muito “infantil” pra eles. Tá, são suposições, eu sei. Nada disso pode acontecer, ou pode acontecer mesmo mais tarde, não temos como adivinhar.

Ontem estava lendo uma matéria edição de março da Today’s Parents justamente sobre isso, se era válido esperar mais um ano. E a grande maioria dos pais e especialistas entrevistados concorda que sim, é melhor esperar. Os motivos, além dos já citados, vão da maturidade emocional até a necessidade da soneca à tarde e o estresse de ficar o dia todo na escola, sem descanso. Por outro lado, muitos pais justificam a entrada no kindergarten como um rito de passagem para a “escola de verdade”, na 1a. série. Dizem que o kindergarten é como se fosse uma creche pra crianças maiores, que não há imposições acadêmicas e que, claro, tem o fator econômico, já que os pais economizam na creche (que pode chegar a mais de CAD$1500 por mês aqui em Vancouver).
Claro que o fator dinheiro mexe, e muito, com nossas convicções. Mas é um ano. Não estamos falando de gastar uma fortuna por mais 10 anos, mesmo porque apesar da escola ser gratuita, ainda há o “after school program”, para crianças de até 12 anos, cujos pais trabalham o dia todo e não podem buscá-los às 3 da tarde. E isso também custa dinheiro, na faixa de CAD$400 por mês.
Vou observando a pequena ao longo deste ano e ver como ela amadurecendo. Pode ser que até ano que vem, eu mude de idéia e ache que ela está pronta pra começar a escola “de verdade”…

Que língua ela fala?

Essa é uma pergunta que sempre me fazem. A Valentina fala inglês ou português? Fala farsi? Acho que posso dizer que ela fala “valentinês”: é uma mistura de inglês e português que, a primeira vista, soa uma babel de sons.

A primeira língua dela é inglês, sem sombra de dúvida. As frases vêm primeiro em inglês, misturada com palavras em português. Na escola e com o pai, só inglês. Comigo, mistura tudo.
Outro dia, logo após o retorno da minha mãe pro Brasil, ela perguntou pro pai: “daddy, where’s grandma?” e, na mesma hora, virou pra mim “mamãe, where’s vovó?”. A construção é inglês, mesmo que as palavras sejam na língua da mamãe: “I want pôr roupa e go lá fora”.

É um trabalho de formiguinha mesmo… lemos muito em português, coloco músicas brasileiras, vou conversando sempre em português, mas quando ela passa quase 11 horas do dia dela ouvindo inglês, brincando em inglês, interagindo em inglês, é complicado imaginar ou mesmo supor que o português fosse a primeira língua. Outro dia, ela brigou comigo quando perguntou o que era tal parte do corpo. Eu disse que era cotovelo e ela retrucou com um “não, mami, it’s elbow!”. Expliquei que era elbow em inglês e cotovelo em português. Se ela entendeu? Não sei.
Estou começando a mostrar que existem duas línguas: inglês, que ela conversa com o mundo, inclusive o pai, e português, que é a língua da mamãe.

Não sei se é cedo pra isso, afinal, ela só tem 3 anos, mas confesso que a “predileção”, ainda que naturalmente esperada, pela outra língua chateia um pouquinho. É o lado afetivo do idioma, como a Flávia bem descreveu. É a minha cultura, minha vida, como eu me conheço.

Passo boa parte do dia falando em português, escrevendo em português que, quando vejo minha filha brigar que não é cotovelo, é elbow, me acende a luzinha vermelha. Já pensou ir pro Brasil e ela não entender os tios, os primos, a avó?

Já com farsi, vejo que ela entende alguma coisa e fala uma ou outra palavra. Marido não faz tanta questão que ela seja fluente quanto eu, então fala com ela em farsi mas não sempre. Na maioria das vezes, é em inglês mesmo. Ele mesmo decidiu que é “uma língua muito complicada”.

Estou aproveitando que ela está na fase dos “porquês” e de querer saber o que é tudo. Não basta dizer que o objeto tal é uma cadeira, tenho que explicar que aquele negocinho ali embaixo é o parafuso que segura a rodinha pra fazer a cadeira deslizar.

Me pego pensando nas palavras, em como explicar de modo que ela entenda e, ao mesmo tempo, dando a oportunidade de introduzir novas palavras no vocabulário dela. Às vezes, vejo que ela não entendeu tal coisa e preciso repetir tudo em inglês. E depois repito mais uma vez em português. Se ajuda eu não sei, mas acabou que virou um hábito de sempre que falo algo em inglês com ela, repito a mesmíssima coisa em português.

Acho que só o tempo vai dizer se estou acertando nisso ou não. Espero que sim.

É cada uma…

Cena 1:

Fiz pão de queijo em casa. Valentina, olhando as bolinhas na assadeira, decidiu que eram ovos.
Ela: Ovo!
Eu: Não, Valentina. É pão de queijo, não é ovo.
Ela: Páo queso?
Eu: Isso. Pão de queijo!
Ela: ovo queijo!
Eu: …..

 

Cena 2:

Com a chegada do friozinho, tirei do armário as meia-calças da Valentina, para que ela possa continuar usando os vestidos que tanto adora.

Mostrei pra ela e perguntei o que era isso. Ela disse que era calça.

Eu se não parecia uma meia. Ela olhou e disse “meia”.

Aí expliquei era uma meia-calça. Ela não teve dúvidas: todo dia pede pra pôr a “calça-meia”…. ;-)

Novidades e dicas sobre o sistema de saúde em BC

No Brasil, ao fazermos exames laboratoriais, o paciente normalmente é o responsável por pegar os resultados e levar ao médico.

Aqui é diferente. Você vai, faz seu exame de sangue e se algo der diferente, o médico vai te ligar pra marcar horário. Se ninguém te ligar é porque deu tudo normal.

Até pouco tempo atrás, nós, pacientes, não tínhamos acesso aos exames. Ficava tudo nas mãos do médico. Agora tem uma opção

A empresa que disponibiliza os dados eletronicamente para os médicos, abriu essa opção para os pacientes. Como funciona? É simples.

Após sair do laboratório (num prazo de até 10 dias após o exame), você vai no site deles (my ehealth.com), e preenche os dados necessários. É preciso ter o cartão de saúde (carecard number) e endereço válido.  Eles vão te enviar, por correio, a senha para terminar o cadastro.

Uma vez com o cadastro pronto, você recebe seus exames de sangue em tempo real no site deles. Eu fiz um de manhã e a tarde já tinham os resultados postados. Dá pra salvar e imprimir, permitindo um maior controle da sua saúde, principalmente pra quem depende dos médicos nas walk-in clinics (onde o médico pode mudar a qualquer hora).

Outra dia importante é pra exames de imagens. Em qualquer hospital aqui, ao fazer seu raio-x, ressonância, é possível pedir cópia do relatório e das imagens. Normalmente não há custo ou só o custo do correio. Se preferir, dá pra pegar lá no hospital mesmo e leva cerca de 1 semana pra ficar pronto.