Há 11 anos, numa 6a. feira….

Há 11 anos, numa 6a. feira, 21 de fevereiro, eu embarcava para a viagem que ia mudar minha vida. Tinha terminado a faculdade e resolvi estudar inglês para conseguir emprego melhor na volta, que seria 5 meses depois. Estudei inglês, terminei o curso e… não voltei. Quis conhecer mais essa cidade que me prendeu desde o primeiro dia. Foram 3 anos até virar residente permanente e depois, cidadã canadense. São 11 anos que me mudaram como jamais imaginei. 11 anos de luta, de saudades da família, que até dói. 11 anos depois e ainda me confundindo no inglês. As recompensas não podiam ser melhores: conheci a pessoa que mais amo e tenho uma pequena que é a minha vida. Foi fácil essa caminhada? Não! Mas não me arrependo nenhum instante de ter levado meu passaporte ao Consulado Canadense com aquele pedido de visto que definiu meus caminhos.

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O que seu filho faz durante o dia?

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Hoje cedo vi esse desenho e notei que é exatamente assim aqui em casa. Vou pegar a Valentina na escola e sei que ela fez um monte de coisa porque a) a roupa volta imunda e b) eu vejo o programa do dia. Mas vai perguntar pra ela o que ela fez. A resposta é sempre um “não sei” ou “nada”.

A dica que funciona aqui em casa é sempre fazer pergunta específica. Perguntar genericamente “o que você fez hoje” não funciona. Eu pergunto sempre se ela brincou, se comeu o almoço, se leu um livro, se correu muito, ou seja, dou exemplos do dia-a-dia.

Claro que os pais ficam de cabelo em pé. Oras, como não fez nada? O que a professora está ensinando? Como assim meu filho não está prestando atenção?

Na verdade, não é nada disso. Às vezes, é tanta informação para a criança processar que ela não sabe nem o que responder. Então solta um “não sei”. Já pararam pra ver o tanto de coisa que a criança tem durante o dia todo na escola? É livro, colegas novos, playground, hora do almoço, atividades dirigidas, contação de história, o barulho do alarme, lembrar de pegar as coisas, casaco, bota, tênis pra usar dentro da sala, guardar tudo sozinha, lidar com as frustações e os problemas na sala, barulheira de um monte de criança falando e gritando ao mesmo tempo. Ufa, só de escrever isso eu cansei. Então imaginem alguém nesse contexto todo santo dia. Não é à toda que a criança chega em casa à noite e não quer nem falar sobre o que fez. O cansaço mental é demais.

Então, se você quiser saber o que seu filho anda fazendo e aprendendo, o melhor é a) pergunte à professora (em tempos de email, melhor coisa!) e b) deixa a criança descansar e mais tarde, naquele horário gostoso juntinho, pergunte coisas simples do tipo “você leu um livro hoje?” e coisas assim. Vai ver como a criança estará bem mais disposta a conversar!

 

 

 

A fada das “petas”

Essa noite tivemos uma visita muito especial aqui em casa: “the peta fairy”, ou  a fada das petas (como ela chama a chupeta).

Na noite de sexta para sábado, conversamos, eu e ela, sobre a chupeta. Com 4 anos e meio, ela não dava nem sinal de que iria largar a “peta” sozinha. Quando eu tentava tirar da boca dela à noite, ela simplesmente pulava na minha mão pra pegar a chupeta. E isso em sono profundo. Era um tal de acordar à noite por causa disso que já estava me cansando. Sem contar que já está afetando a arcada dentária dela, significando ter que usar aparelho no futuro.

Então, comecei, como quem não quer nada, a perguntar porque ela gostava tanto da peta. Ela disse que precisava ter algo na boca, senão a boca ficava vazia. Daí foi a minha deixa para contar a história (inventada na hora, claro) da fada da chupeta.

A fada vem em casa à noite, quando todo mundo está dormindo. Ela pega as chupetas e, em troca, deixa algo que a criança quer muito, além de uma carta. Na primeira noite, a fada deixou uma carta explicando as regras pra Valentina. Nisso, consegui uma noite de aviso prévio, assim ela podia usar a chupeta, sabendo que seria a última noite.

No dia seguinte, lemos a carta juntas e escrevemos uma resposta. Valentina pediu um kinder ovo, um coelho de chocolate e uma Barbie. No final do dia, fui até a loja, comprei a Barbie com um cavalo, que ela adora. À noite, ela apagou no sofá enquanto assistia um desenho. Foi de chupeta mesmo. Como seria a última noite, não me importei e tirei depois que a coloquei na cama.

De madrugada, ela acordou pedindo a chupeta. Quando disse que a fada iria levar embora, ela chorou um choro tão sentido, que me fez perguntar se estava fazendo o certo. Pediu mais um pouco, chorou mais um pouco e no meio do choro, disse “bye bye peta”, aos prantos. E dormiu. Juro que nesta hora, quase desisti. Mas fui firme e ela ficou bem o resto da noite.

Hoje ela acordou com as surpresas. O chocolate que ela pediu tanto e a boneca. Parecia criança no natal. Durante o dia a relembrei algumas vezes que não tinha mais peta e ela ficou ok. Vamos ver agora à noite. Já já é hora dela dormir e, pela primeira vez, não terá chupeta para ajudá-la a pegar no sono. Com sorte, não teremos tanto choro….

 

 

 

 

Tempo de primavera

Nunca, em 10 anos, acho que tivemos uma primavera tão ensolarada e seca como a deste ano. Deu final de março e já se via as flores pelas ruas. Como estou sem câmera, tiro foto com telefone mesmo. A vantagem é que dá pra compartilhar na hora, né?

Cerejeiras, tulipas, magnólias, rosas. Todas as cores, todas as formas, uma mais linda que a outra.

Agora mesmo, estou no trem a caminho de casa e a beleza do caminho é incrível. Água de um lado, um parque, e a montanha cheia de árvores (e um pouco de neve no topo!) do outro. E o sol batendo. É nessas horas que eu vejo como sou abençoada de morar aqui. Esses dias lindos compensam a chuva do resto do ano, com certeza (apesar da gente reclamar disso, claro).

De uma semana pra cá, a Valentina tem pedido pra ir pra creche de shorts. Tá sol, mas tá frio, né? Tanto pediu que hoje eu cedi e deixei ela escolher. Acho que ela nunca foi tão feliz pra creche (tirando os dias que ela vai de princesa). E lá estava ela: shorts, camiseta que ELA escolheu na loja, boné, casaco e mochila. Parecia uma adolescente e tão linda!

Definitivamente sol faz pra bem pra alma.

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Tempo de céu cheio de flores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Foto by Valentina 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de cerejeiras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo dos pássaros voltarem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de novos brotinhos nascerem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de rosas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de magnólias

 

 

Spring Cleaning

Sabe quando a vida começa a gritar (porque já vem dizendo há muito tempo) que está na hora de tomar um rumo? De mudar, de correr atrás do que você quer mesmo?

Quando adolescente ou mesmo na faculdade, nunca me imaginava trabalhando em escritório fechado, cheio de papel e bur(r)ocracia. 15 anos depois e onde estou? Trabalhando em repartição pública, escritório fechado, com pilhas de papel e muita, muita burocracia.

Feliz? Não.
Pagando as contas? No limite.
Dá, ao menos, pra crescer, aumentar salário? Nem em sonho.

Daí eu pergunto, quando foi que eu me acomodei e me deixei levar pelo caminho fácil. Quando que isso aconteceu? Não sei, sinceramente.

Sei que quero mudar. Fazer o que da vida? Escrever? O que eu gosto é escrever, mas como? De que jeito? Como garantir que eu vou pagar minhas contas fazendo o que eu gosto. Escrever em português é quase que uma extensão de mim. Mas em inglês? Confesso, está batendo uma insegurança como nunca senti. Não me sinto capaz. Sinto que preciso ser 100%, entender 100% para poder fazer qualquer coisa. Sim, este é meu lado virginiano, de querer tudo nos conformes.

Daí eu me pergunto, cadê aquela coragem que me fez vir para cá, sem falar inglês, sem conhecer ninguém? Aquela coragem que me impulsionou a fazer tantas coisas, a experimentar outra vida tão diferente daquela que eu já conhecia…

Tenho vontade de jogar tudo pro alto. Acordar de madrugada e viver na correria o dia todo até chegar em casa e ter mais correria para fazer i-gual-zinho no dia seguinte está me matando. Dois dias de descanso parecem mais uma tarde e só. Não tenho tempo de realmente curtir minha filha, meu marido, meu cachorro. Quero sair e andar. Cadê o tempo e a disposição? Quero poder fazer uma comida decente em casa, aliás, quero uma casa arrumada e bem decorada, mas tudo isso envolve tempo livre. Cadê isso?

Sim, preciso buscar outro rumo pra mim. Voltar aos bancos escolares parece ser a melhor solução, mas e o medo de não conseguir? Já aconteceu outras vezes e quero garantir que agora vai ser diferente.

Meu corpo está dando sinais claros da exaustão. Essa correria do dia-a-dia só me faz querer chegar em casa e me jogar num sofá e dormir. Mas não dá quando se tem filhos, marido e casa. Tem comida pra fazer, roupa pra lavar, filha pra cuidar, abraçar e curtir. Cada dor que eu sinto me limita mais e mais. Como se estivesse falhando. E cadê a pílula mágica que vai resolver isso?

Estou trabalhando de casa estes dias. Não por escolha, mas pela incapacidade de andar direito, de sentar, de ficar em pé por causa da dor. Há três dias estou a base de tylenol, advil e uma dose triplicada do meu remédio de fibromialgia. Com tudo isso, vem aquele sentido terrível de frustração e fracasso. Como eu queria poder acordar um dia, ao menos um dia, e não me sentir dolorida. De poder dormir na posição que eu quero, sem me preocupar se vai piorar a dor.

Tenho, ao menos, uma médica que me entende e não me julga. É muito difícil de falar nisso e não se sentir rotulada como uma hiponcondríaca. Até pra mim mesma.

Quero poder voltar ao que eu era antes. A Fernanda que gostava de sair, de andar pra cima e pra baixo, com pique, que gostava de chegar em casa e preparar jantar. Cadê? Hoje eu acordo com dor, chego exausta no trabalho, me canso mais ainda até chegar em casa, sem ânimo, sem força pra nada, sem paciência pra nada. Eu não sou assim, não me reconheço em mim mesma.

Escrever, ultimamente, tem sido a minha terapia. Tenho meu diário secreto onde escrevo coisas que não sinto prontas de dividir. Quero poder me entender primeiro, aceitar que algo mudou em mim e buscar forças de um lugar inexistente para sair disso.

No Brasil

Felicidade de mãe é ver sua filha -que tem pânico de molhar a cabeça e gruda em você numa piscina- finalmente se soltar e se permitir relaxar e descobrir como é bom estar na piscina (com bóia) sem se segurar em ninguém. As risadas de felicidade dela e o orgulho (chamando todo mundo pra ver) vão ficar pra sempre.

Você está gostando tanto, querida. Seu português melhorou um monte, você acorda com um sorriso lindo no rosto, está conhecendo sua família, perguntando pelos tios e primos, se empanturrando de arroz com feijão, morrendo de calor, percebendo as diferenças do português pro inglês…. Acho que essa viagem vai ficar na sua memória pra sempre, né?

Manhã de chuva preguiçosa

Manhã de chuva preguiçosa.
Vontade de ficar na cama, pensando…tomar um chocolate quente embrulhada nas cobertas sem hora para “despreguiçar”. Vontade de dar um basta e dizer ao mundo que quero parar e viver um pouco.

Acorda
Corre pra arrumar o café
Corre pra se arrumar
Corre pra acordar a casa
Corre pra arrumar a Valentina
Corre pra sair na hora
Corre pra chegar logo na escola
Corre pra não perder o trem
Corre pra não chegar atrasada no trabalho
Corre no trabalho
Almoça correndo
Sai correndo
Corre pra não perder o trem
Corre pra chegar logo na escola
Corre pra fazer o jantar
Corre pra preparar tudo pro dia seguinte
Corre pra dar banho, pôr o pijama, escovar o dente
Corre pra não ficar tarde
Vamos dormir? Já tá tarde
Ih, hora de acordar de novo.
Corre pra arrumar o café.