Há 11 anos, numa 6a. feira….

Há 11 anos, numa 6a. feira, 21 de fevereiro, eu embarcava para a viagem que ia mudar minha vida. Tinha terminado a faculdade e resolvi estudar inglês para conseguir emprego melhor na volta, que seria 5 meses depois. Estudei inglês, terminei o curso e… não voltei. Quis conhecer mais essa cidade que me prendeu desde o primeiro dia. Foram 3 anos até virar residente permanente e depois, cidadã canadense. São 11 anos que me mudaram como jamais imaginei. 11 anos de luta, de saudades da família, que até dói. 11 anos depois e ainda me confundindo no inglês. As recompensas não podiam ser melhores: conheci a pessoa que mais amo e tenho uma pequena que é a minha vida. Foi fácil essa caminhada? Não! Mas não me arrependo nenhum instante de ter levado meu passaporte ao Consulado Canadense com aquele pedido de visto que definiu meus caminhos.

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Um sonho de escola

Esta semana a Valentina começou a escola. E, olha, preciso dizer que fiquei impressionadíssima com as salas e o espaço aberto. Excelente!

Nestes dias ela teve poucas horas dentro da sala, parte do chamado “gradual entry” (adaptação gradual). Como é? Para as crianças do kindergarten, a pré-escola no Brasil, a primeira semana é para conhecer a escola, os colegas, os professores e, aos poucos, se acostumar com a nova rotina.

Até dois anos atrás, a maioria das escola tinha kindergarten somente em meio-período, das 9h às 12h. Agora, todas as escolas públicas da província têm kindergarten em tempo integral, das 9h às 15h. Isso implicou em, claro, aumentar a capacidade das escolas, acostumar os pequenos a passar o dia lá, sem soneca, com almoço por lá mesmo. Para as crianças que já ficavam em creche, como a Valentina, a mudança não é tão complicada, talvez, com exceção da soneca, que agora ela terá que cortar. As crianças que faziam apenas o preschool (jardim) ou ficavam em casa com um dos pais, terão um rotina completamente pela frente. Por isso, essa semana especial.

Cada escola tem um horário diferente. Na da Valentina, como está sendo: no primeiro dia foram só 45 minutos para todos alunos, do pré até a 5a. série. Apenas para conhecer a escola e pegar as primeiras orientações. Para os alunos da 1a. série em diante, os outros dias já eram com aulas normais, embora bem tranquilas até a semana que vem. Para ela, recebemos um calendário com os horários em que ela iria para a escola. Um dia foi meia hora na sala, com os pais juntos. No outro, 1 hora, sem os pais e aumenta gradativamente até a 4a feira que vem, quando as turmas estarão definidas e nós saberemos qual será a sala e a professora definitiva dela.

As escolas públicas não tem uniforme, apenas as particulares e as católicas (também particulares, mas a um preço bem mais acessível). Tenho sorte de morar num distrito escolar com MUITA opção de escola. Tem Montessori, imersão em francês ou mandarin, homeschooling, entre outros. Como o programa que a Valentina vai é novo e só tem na escola dela, o investimento lá está sendo grande. O parquinho está novo, acabou de ser reformado, as salas foram mudadas todas no ano passado, com móveis e decoração baseados no projeto do Reggio Emilia.

A escola é uma das menores do distrito. Ano passado recebeu somente 140 alunos. Havia turmas de 9-12 crianças, apenas. Como o número de matrículas, vinha diminuindo ao longo dos anos, a Secretaria de Educação escolheu a Meadowbrook para este projeto. Na província inteira, há duas escolas com o programa Reggio Emilia, a da Valentina e uma em Burnaby.

Alguns dos elementos da sala:

Elementos da sala

 

 

 

 

 

 
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Um palco, no meio da sala:

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Cantinho de leitura e futura área com as fotos de cada família:

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O natural e a tecnologia: Blocos de madeira para atividades diversas e o quadro-branco chama-se Smart Board. É como se fosse um tablet, onde a professora e as crianças podem escrever com canetas especiais ou o dedo. O material pode ser salvo no computador e enviado aos pais por email.

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Urso de pelúcia gigante do Canada Post no meio do corredor da escola:

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Um dos três parquinhos e a escola láááá atrás.

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1+1 = 3

Primeiro, um super obrigada a todos que deixaram recadinho! 🙂

Agora, pois é. Estou grávida.

Ainda assimilando e vendo que sim, é verdade, afinal é uma realidade muito surreal pra mim. Baby planejadíssimo, mas é sempre surpresa, né?

A previsão é dele/a nascer no Boxing Day, 26 de dezembro. A minha intuição diz que ele/a vai nascer no dia 30, no aniversário da minha avó e da minha tia, só pra manter a tradição, rs rs.

E com o baby, tudo muda. Sua perspectiva, idéias pré-concebidas que vão mudando ao longo das semanas, conceito de responsabilidade. Saber que não vou sair do trabalho e dar voltas aonde quiser, quando quiser e voltar pra casa na hora em que eu quiser. Saber que terei um ser indefeso, além do Eithor, que dependerá de mim. Sim, é assustador. Mas é uma delícia.

Ainda não sabemos se é menino ou menina. Amanhã tenho um ultrassom e quero tentar ver se a médica “deixa escapar”… ai, curiosidade!

E sim, como tudo muda, também estamos de mudança. Conexão Vancouver será, a partir de setembro, Port Moody, uma cidadezinha maravilhosa, com muito verde, super calma e linda. E sim, será o cenário da nossa casa de verdade! 🙂

E pensar que quando vim pra cá, em 2003, não fazia a menor idéia de tudo que iria acontecer nos próximos anos…

🙂

Qual a sua nacionalidade?

Outro dia, “passeando” pelo site do CIC, deparei com uma lista de “países” emissores de passaportes. São países fictícios ou, pior ainda, instituições verdadeiras mas que não têm poder de emissão de passaporte nenhum ou então, países que não existem mais.
A lista é grande e, como o próprio CIC diz, não é completa já que novos nomes aparecem sempre:

  • Anishinabek (Native American)
  • Antigua (State of)
  • Association d’entraide humanitaire internationale
  • British Guiana
  • British Honduras
  • British West Indies
  • Burma
  • Carolingian Bernacian States and Dynasty
  • Centre d’information corps diplomatique et consulaire
  • Ceylon
  • Citizenship and Immigration Canada
  • Immigrant Entry Permit
  • Colonia (Kingdom of)
  • Conch Republic
  • Confederate States of America
  • Confédération mondiale des correspondants diplomatiques
  • Corps diplomatique of the United States of America
  • Corterra (Republic of)
  • Czechoslovakia
  • Department of Foreign Affairs Silver Card
  • Eastern Samoa
  • Ecumenical World Patriachate
  • Empire Washitaw de Dugdahmoundya Haudenosaunee
  • Hutt River Principality or Hutt River Province
  • International Biographical Association
  • International Humanitarian Society
  • International Parliament for Safety and Peace
  • International Society for Krishna Consciousness
  • International Solidarity Center
  • Iroquois Nation
  • Khalistan
  • Knights of Malta
  • Koneuwe (Republic of)
  • Lomar (Republic of)
  • Maori Kingdom of Tetiti
  • Melchizedek (Dominion of)
  • Nation of Israel
  • Netherlands East Indies
  • Newfoundland and Labrador
  • New Hebrides
  • North American Indian Nation
  • Government
  • NSK – Neue Slowenische Kunst (New Slovenian Art)
  • Oceanus
  • Organization of African Unity
  • Paisos Catalans
  • Palmerya (Principality of)
  • Parliamentary Patriarchate of Antioch Planetary
  • Polyaesiea
  • Québec
  • Rhodesia (Republic of)
  • Roma
  • Romano
  • Romano Jumako Khetanipe
  • San Cristobal (Republic of)
  • Sealand (Principality of)
  • Service d’information
  • State of Sabotage (S.o.S.)
  • Symbolic European
  • Texas
  • Trust Territory of the Pacific Islands
  • UNO (United Nations Office, Inc.)
  • Union of Soviet Socialist Republics (USSR)
  • Vera Cruz (Free and Independent State of)
  • Vikingland (Principality of)
  • Wisconsin
  • World Parliament Confederation of Chivalry
  • World Service Authority
  • Yugoslavia
  • Zanzibar

Hum, acho que na próxima vez que eu for viajar, vou inventar uma nova nacionalidade. Qual deveria ser?

🙂

IELTS

Descobri que precisava fazer a prova do IELTS….. já vinha enrolando há séculos pra isso, mas tudo bem.  Ai, comecei meu curso na UBC e vi que, entre os requisitos pra tirar a licença de immigration practioner está a proficência em inglês. E eles aceitam IELTS, Celpip (curiosamente, os únicos dois aceitos para imigração) e outros que nunca tinha ouvido falar: CAEL, Melab (da Universidade de Michigan) e Cantest e os para francês.

Como meu francês se resume a “bonjour, merci, au beaucop”, achei melhor nem me matar com aquilo…. deixo isso pro pessoal de Quebéc! 🙂

O primeiro passo foi tentar descobrir mais sobre os testes, requisitos, dificuldade, cursos, etc. Um dos testes foi descartado na hora quando vi não tinha em Vancouver (CANTEST é feito somente na Universidade de Ottawa). Os outros foram, aos poucos, caindo no meu conceito pela dificuldade em achar material de estudo ou cursos.

Como eu estava estudando numa escola de inglês, nada melhor que juntar o útil ao agradável. Resolvi fazer 4 semanas de curso lá, pela manhã. Professora ótima (a Joy, indico pra todo mundo), com experiência na prova e tudo. Já que eu não fazia nem idéia de como era a prova, 1 mês foi ótimo para eu me familiarizar com o formato.

Depois de começar o curso, percebi que teria muita dificuldade na parte de listening, devido ao meu problema auditivo. A professora me sugeriu pedir headphones na prova (o que ajudou MUITO), contando que tivesse cartinha do médico. Cartinha conseguida, fiz a minha inscrição na própria SFU (Simon Fraser University, onde a prova é aplicada), e deu tudo certo. Depois de umas semanas recebi a confirmação via email e também a aprovação do meu pedido.

No dia da prova em si, eu estava tranquila. Ou mais ou menos, na medida em que dá. Me lembrou muito prova de vestibular, pelo número de gente lá e pelo rigor. Um dos examinadores era um professor da VEC, o que me deixou mais tranquilla. Embora ele não pudesse falar comigo, só a presença dele já ajudou. E vi que tinham uns 3 alunos da VEC também, inclusive uma ex-classmate minha (e vou te falar, que bafo esta menina tem, aaaaaffff. E adivinha quem que ficava SEMPRE como minha colega da parte do speaking)…. anyway…..

A prova em si não foi difícil, aliás foi mais fácil que eu achava que seria. Só espero que esta impressão corresponda à minha nota, rs rs. 😛

Eles irão mandar as notas nesta 6a. feira. Quando sair, eu digo (ou não, né?)… por enquanto vai uma tabelinha de pontos para, quem quiser, ver como é feita a atribuição das notas:

Listening
40-39 = 9.0
38-37 = 8.5
36-35 = 8.0
34-33 = 7.5
32-30 = 7.0
29-27 = 6.5
23-26 = 6.0
20-22 = 5.5
16-19 = 5.0

ACADEMIC Reading
40-39 = 9.0
38-37 = 8.5
36-36 = 8.0
34-33 = 7.5
30-32 = 7.0
29-27 = 6.5
23-26 = 6.0
19-22 = 5.5
15-18 = 5.0

GENERAL Reading

40 = 9.0
39 = 8.5
38-37 = 8.0
36 = 7.5
35-34 = 7.0
33-32 = 6.5
30-31 = 6.0
29 – 27= 5.5
23-26 = 5.0
20-22 = 4.5
15-19 = 4.0

O novo Eldorado dos brasileiros?

A Globo resolveu fazer uma série de reportagens sobre o Canadá. Assisti somente à primeira da série e foi o suficiente…

Será mesmo que é tão fácil de vir pra cá? Estudantes que vêm pra ficar um mês, mas já vêm com a intenção de trabalhar ilegalmente, pessoas que pagam “atravessadores” para ajudá-los a cruzar a fronteira para vir pra cá.  E um ou outro que se “atreve” a querer vir da maneira correta e legal. E dá-lhe apoio ao “jeitinho”….

Eu bem sei que imigrar para o Canadá não é um mar de rosas, mas quando vejo matérias no estilo sensacionalista (o que mais pode ser?), me dá medo.
Este tipo de matéria só faz trazer uma enxurrada de gente totalmente perdida querendo vir para cá sem um mínimo de educação (educação neste ponto, não é questão de faculdade ou o que quer que seja, mas educação no sentido de buscar entender e conhecer o local para onde você está indo, aprender a língua do local, saber o que é necessário… este tipo de educação).
Ontem mesmo tive uma pessoa no Consulado Brasileiro ligando para saber como fazer pra vir pro Canadá. E a pessoa não sabia nem pra que país ela estava ligando. Isto só mostra como matérias deste tipo (um lixo, sinceramente), aumenta o desespero daqueles que querem sair do país a qualquer preço (e dá-lhe coyotes aí!)….

Em tempo:

Dia 22 de fevereiro estou comemorando 5 anos de Canadá! 🙂