Dois meses de aula e algumas observações

Que não ia ser 100% tranquilo, eu já imaginava. A professora me chamou para uma conversa na 3a semana de aula. Acho que bati algum recorde. Aparentemente, como toda criança de 4 anos e meio, Valentina tem opiniões muito fortes. Sabe exatamente o que quer. E o que acontece quando a professora fala para ela fazer algo que não quer ou pede para ela parar alguma coisa? Vai pro canto, cruza os braços e diz que odeia a escola, a professora e todo mundo. Bem típico. Mas o que me chamou a atenção na conversa foi ver que a professora não estava reclamando e sim, querendo conhecer mais da Valentina. Como ajudá-la a fazer transições de uma atividade para outra, como trabalhar isso dela reclamar do mundo…

Valentina é uma criança que precisa de tempo para se adaptar a uma nova rotina. Uma transição de atividades, por exemplo, requer bastaaante aviso prévio (o velho “mais 5 minutos”). Ela chorou nas primeiras semanas de aula, quando caiu a ficha que ali seria o novo cantinho dela. De manhã, ela prefere ficar na creche da escola (que vai levá-la pra sala), onde tem menos crianças, a ir pra área coberta (onde estão todas as outras crianças) onde esperamos o sinal tocar. E isso porque a escola é pequena. São apenas 8 salas, com cerca de 18-20 alunos em média.

Mas passados quase 2 meses de aula, posso dizer que estou feliz com a escolha que fizemos. Ela está feliz na escola, reconhece os amiguinhos no meio da rua, fala com todo mundo, conhece as rotinas por lá. Ainda estamos trabalhando na parte de lembrar de pegar as coisas: quase todo dia eu vou caçar um casaco, uma garrafa de água ou um pote. Ele tem adorado trazer livros da bilbioteca da escola, está super empolgada, escrevendo letrinhas em todos os cantos da casa, desenhando um monte. Aliás, essa pré-alfabetização tem me encantando, vou escrever com mais calma sobre isso depois.

Hoje recebi um email da professora contando pros pais como tem sido a rotina deles e o que eles estão fazendo em aula. Simplesmente adorei. Muitas atividades práticas, muito contato com natureza, atividades interessantes e diferentes. Acho que fizemos a escolha certa ao colocá-la no programa do Reggio Emilia. Tem como não amar?

“Nós tivemos um outubro movimentado e cheio de diversão! Estudantes na Divisão 6 estiveram ocupados aprendendo sobre o medidor de humor, os padrões em matemática, investigando lesmas, engajando-se em atividades de Halloween e divertindo e desfrutando o tempo de exploração!

Medidor de humor
Estamos aprendendo sobre o medidor de humor como uma ferramenta para nos ajudar a identificar os sentimentos em nós mesmos e nos outros. Os alunos estão aprendendo sobre os sentimentos que correspondem a cada zona de cor do medidor de humor e estão aprendendo a identificar qual a zona que estão dentro.

Investigação sobre lesmas
Depois que um aluno trouxe um caracol para compartilhar com a turma, os alunos mostraram interesse em caracóis e lesmas. Temos um viveiro de lesmas na sala, com cerca de 5 lesmas, e começamos nossa investigação pensando em algumas perguntas sobre o que os alunos queriam aprender. Os alunos investigaram as partes de uma lesma, o que elas gostam de comer, sua gosma, e os lugares que elas gostam. Eles notaram ainda os ovos que as lesmas que colocaram no viveiro. Foi muito emocionante! Nós vamos continuar nossa investigação. Pergunte ao seu filho o que aprendeu até agora sobre lesmas!

Padronização
Em matemática, os alunos tornaram-se experts em padrões! Eles participaram de várias estações de matemática onde fizeram padrões com diferentes materiais como botões de bingo, laços de frutas, selos do Dia das Bruxas, massinha e pedras/shells/botões. Os alunos estavam muito empenhados nas estações e me mostravam periodicamente os diferentes padrões que eles fizeram durante a exploração com Lego e blocos.

Explorando a escola e a área externa
Os alunos têm tempo de exploração todos os dias. Eles têm sido muito criativos com suas brincadeiras durante estes momentos. Eles gostam de construção, fazendo artes e ofícios e de brincar de teatro. Recentemente, alguns alunos fizeram instrumentos usando copos, pratos de papel, elásticos e rolos de papel toalha. Eles gostaram de fazer música com seus instrumentos!

Saímos duas vezes por semana para brincar na floresta. Tivemos muita sorte com o tempo ao longo do mês de outubro. Os alunos se divertiram fazendo pilhas ou coletando folhas, e inventando seus próprios jogos. Vamos continuar a ir lá fora, faça chuva ou faça sol. Veja se seu filho está vestido apropriadamente!

Halloween Fun
Casa Assombrada
Depois de colocar algumas caixas de papelão, isopor, e algumas bugigangas e adereços de Dia das Bruxas, os alunos trabalharam em conjunto para criar uma casa assombrada. Cada aluno da turma tinha uma parte da atividade. Alguns alunos fizeram fantasmas e árvores, bem como outros desenhos de Halloween para anexar à casa, enquanto outros cortaram janelas e ajudaram a colocar as caixas juntas com fita adesiva. Quando a casa ficou pronta, cada aluno recebeu um pedaço de teia de aranha para adicionar um toque final a sua criação.

Os cookies do Dia das Bruxas
No dia 29 de outubro, fizemos ​​biscoitos de Halloween! Os alunos esperaram pacientemente por sua vez para adicionar os ingredientes e misturá-los. Eles escolheram formatos diferentes de Halloween para os biscoitos. Pergunte ao seu filho que tipo de biscoito que ele/ela fez! Muitos alunos ficaram muito satisfeitos com a forma como o seu bolinho tomou e aproveitaram cada migalha!

Dia das Bruxas
Foi ótimo ver tantas fantasias maravilhosas e os alunos adoraram exibí-los durante o nosso desfile de fantasias! Os alunos passaram o dia decorando abóboras com uma variedade de materiais, alternando estações com as outras classes de Kindergarten e 1a. séria, onde fizeram esqueletos de cotonetes, brincaram com jogos de halloween e investigaram como é uma abóbora por dentro. Espero que todos tenham tido um feliz Dia das Bruxas!”

IMG_1013

IMG_0588

Pasta decorada por ela mesma.

IMG_0557

IMG_1062

IMG_0175

 

 

 

 

 

 

Advertisements

O que seu filho faz durante o dia?

1267340_668333723184368_1299821442_o

Hoje cedo vi esse desenho e notei que é exatamente assim aqui em casa. Vou pegar a Valentina na escola e sei que ela fez um monte de coisa porque a) a roupa volta imunda e b) eu vejo o programa do dia. Mas vai perguntar pra ela o que ela fez. A resposta é sempre um “não sei” ou “nada”.

A dica que funciona aqui em casa é sempre fazer pergunta específica. Perguntar genericamente “o que você fez hoje” não funciona. Eu pergunto sempre se ela brincou, se comeu o almoço, se leu um livro, se correu muito, ou seja, dou exemplos do dia-a-dia.

Claro que os pais ficam de cabelo em pé. Oras, como não fez nada? O que a professora está ensinando? Como assim meu filho não está prestando atenção?

Na verdade, não é nada disso. Às vezes, é tanta informação para a criança processar que ela não sabe nem o que responder. Então solta um “não sei”. Já pararam pra ver o tanto de coisa que a criança tem durante o dia todo na escola? É livro, colegas novos, playground, hora do almoço, atividades dirigidas, contação de história, o barulho do alarme, lembrar de pegar as coisas, casaco, bota, tênis pra usar dentro da sala, guardar tudo sozinha, lidar com as frustações e os problemas na sala, barulheira de um monte de criança falando e gritando ao mesmo tempo. Ufa, só de escrever isso eu cansei. Então imaginem alguém nesse contexto todo santo dia. Não é à toda que a criança chega em casa à noite e não quer nem falar sobre o que fez. O cansaço mental é demais.

Então, se você quiser saber o que seu filho anda fazendo e aprendendo, o melhor é a) pergunte à professora (em tempos de email, melhor coisa!) e b) deixa a criança descansar e mais tarde, naquele horário gostoso juntinho, pergunte coisas simples do tipo “você leu um livro hoje?” e coisas assim. Vai ver como a criança estará bem mais disposta a conversar!

 

 

 

Um sonho de escola

Esta semana a Valentina começou a escola. E, olha, preciso dizer que fiquei impressionadíssima com as salas e o espaço aberto. Excelente!

Nestes dias ela teve poucas horas dentro da sala, parte do chamado “gradual entry” (adaptação gradual). Como é? Para as crianças do kindergarten, a pré-escola no Brasil, a primeira semana é para conhecer a escola, os colegas, os professores e, aos poucos, se acostumar com a nova rotina.

Até dois anos atrás, a maioria das escola tinha kindergarten somente em meio-período, das 9h às 12h. Agora, todas as escolas públicas da província têm kindergarten em tempo integral, das 9h às 15h. Isso implicou em, claro, aumentar a capacidade das escolas, acostumar os pequenos a passar o dia lá, sem soneca, com almoço por lá mesmo. Para as crianças que já ficavam em creche, como a Valentina, a mudança não é tão complicada, talvez, com exceção da soneca, que agora ela terá que cortar. As crianças que faziam apenas o preschool (jardim) ou ficavam em casa com um dos pais, terão um rotina completamente pela frente. Por isso, essa semana especial.

Cada escola tem um horário diferente. Na da Valentina, como está sendo: no primeiro dia foram só 45 minutos para todos alunos, do pré até a 5a. série. Apenas para conhecer a escola e pegar as primeiras orientações. Para os alunos da 1a. série em diante, os outros dias já eram com aulas normais, embora bem tranquilas até a semana que vem. Para ela, recebemos um calendário com os horários em que ela iria para a escola. Um dia foi meia hora na sala, com os pais juntos. No outro, 1 hora, sem os pais e aumenta gradativamente até a 4a feira que vem, quando as turmas estarão definidas e nós saberemos qual será a sala e a professora definitiva dela.

As escolas públicas não tem uniforme, apenas as particulares e as católicas (também particulares, mas a um preço bem mais acessível). Tenho sorte de morar num distrito escolar com MUITA opção de escola. Tem Montessori, imersão em francês ou mandarin, homeschooling, entre outros. Como o programa que a Valentina vai é novo e só tem na escola dela, o investimento lá está sendo grande. O parquinho está novo, acabou de ser reformado, as salas foram mudadas todas no ano passado, com móveis e decoração baseados no projeto do Reggio Emilia.

A escola é uma das menores do distrito. Ano passado recebeu somente 140 alunos. Havia turmas de 9-12 crianças, apenas. Como o número de matrículas, vinha diminuindo ao longo dos anos, a Secretaria de Educação escolheu a Meadowbrook para este projeto. Na província inteira, há duas escolas com o programa Reggio Emilia, a da Valentina e uma em Burnaby.

Alguns dos elementos da sala:

Elementos da sala

 

 

 

 

 

 
IMG_9725

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IMG_9721

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um palco, no meio da sala:

IMG_9726

 

 

 

 

 

 

 

 

Cantinho de leitura e futura área com as fotos de cada família:

IMG_9728

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O natural e a tecnologia: Blocos de madeira para atividades diversas e o quadro-branco chama-se Smart Board. É como se fosse um tablet, onde a professora e as crianças podem escrever com canetas especiais ou o dedo. O material pode ser salvo no computador e enviado aos pais por email.

IMG_9729

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

IMG_9738

 

 

 

 

 

 

 

 

IMG_9741

 

 

 

 

 

 

 

 

Urso de pelúcia gigante do Canada Post no meio do corredor da escola:

IMG_9748

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos três parquinhos e a escola láááá atrás.

IMG_9762

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amanhã será um novo dia…

Amanhã vai ser uma dia muito especial na vida da minha pequena. Primeiro dia de escola! Primeiro dia de Kindergarten (ou o pré, no Brasil).

É praticamente um rito de passagem por aqui, a entrada da criança no mundo da escola de verdade. A primeira semana será de adaptação (dela e da gente, obviamente). Serão poucas horas de aula até a semana que vem, quando ela terá aula o dia todo.

Não sei quem está mais nervoso, eu ou ela, rs. Acho que pra ela a ficha ainda não caiu. Estamos conversando bastante sobre a escola nova, amiguinhos novos, como vai ser tudo diferente. Novas regras, rotinas… será que ela vai se dar bem? Ela será a mais nova da sala, já que faz 5 anos só em dezembro.

Como será que vai ser?

Coisas de Valentina 2

Ontem ela teve a visita de um professor diferente na escola. Ele foi falar sobre ursos. Como você mora no meio do mato, volta e meia escuta de um urso que achou uma lixeira aberta e fez a festa no quintal de alguém. Por isso, importantíssimo saber, desde criança, sobre segurança “ursal” (como é que se traduz “bear safety”?). Dentre as coisas mais importantes estão 1) lacrar seu lixo antes de deixar na porta por caminhão pegar e 2) nunca correr quando topar com um urso.

Então, eles tiveram a aula com o instrutor especialista em vida selvagem. À tarde, na hora de buscar, a primeira pergunta que você faz:

-Valentina, o que você faz quando vê um urso?

-You run as fast as you can! (você corre o mais rápido que puder!)

-Tem certeza? Não é pra ficar quietinho?

-Não! You call papai and run! (você chama seu pai e corre!)

 

Hum… acho que alguém trocou as bolas. Devo reclamar na escola? :grin:

Escola de verdade, mas já?

A Valentina tem 3 anos e 4 meses. É uma “preschooler”, como eles chamam por aqui. Vai pra escolinha, onde fica o dia todo, das 7 da manhã até às 5 da tarde.

Lá, ela passa o dia brincando, correndo, fazendo atividades, aprendendo letrinhas. Almoça, brinca no parquinho, faz a soneca sagrada de todos os dias.

Pela lei, ano que vem ela já começa a escola regular. Vai pro kindergarten no ano em que completa 5 anos. Tudo seria tranquilo se não fosse alguns detalhes: o aniversário dela é só no final do ano, então ela começaria na escola – em setembro – com 4 anos e meio. Só eu estou achando muito pouco pra ficar na escola o dia inteiro (as aulas são das 9:00 às 3:00 da tarde), sem soneca, já alfabetizada?

Fui pesquisar mais sobre isso e descobri que meu distrito escolar (Coquitlam School District – SD43) permite que espere mais um ano para ela começar. E isto é particularmente beneficial para as crianças que fazem aniversário depois de setembro.

Costumo dizer que, se a Valentina tivesse nascido de 40 semanas e 2 dias, ela já seria de janeiro, ou seja, as chances dela ser a mais nova da classe são grandes.
Em março, o  jornal Vancouver Sun publicou uma matéria interessantíssima sobre a ligação entre transtornos de atenção e a idade das crianças. A matéria mostra que, das crianças “diagnosticadas” com ADHD (Attention Deficit and Hyperactivity Disorder) são normalmente as crianças mais novas da turma. Por que? Muito provavelmente porque numa turma onde a diferença pode ser de até um ano, o grau de atenção e concentração pode variar demais.

Como esperar que uma criança de 4 anos e meio tenha o mesmo nível de concentração que o coleguinha que tem quase 6 anos e está na mesma sala? Parece óbvio, mas não é. Muitas crianças começam a escola novinhas e não tem problemas, mas imagino que possa ser a exceção.

Eu mesma fui uma criança adiantada em relação aos meus colegas. No começo, foi fácil, como costuma ser mesmo. Porém, aos poucos, as dificuldades começaram: ficava de recuperação todo ano até que, na 5a. série, repeti. E sinceramente, foi a melhor coisa. Mudei de escola, e não fiquei mais de recuperação até o colegial.

Outra coisa que me preocupa é bullying. Será que o fato dela ser a mais nova da turma não poderia causar problemas com as outras crianças? Ela vai ser mais imatura que os coleguinhas, talvez estes não tenham paciência com ela ou achem-na muito “infantil” pra eles. Tá, são suposições, eu sei. Nada disso pode acontecer, ou pode acontecer mesmo mais tarde, não temos como adivinhar.

Ontem estava lendo uma matéria edição de março da Today’s Parents justamente sobre isso, se era válido esperar mais um ano. E a grande maioria dos pais e especialistas entrevistados concorda que sim, é melhor esperar. Os motivos, além dos já citados, vão da maturidade emocional até a necessidade da soneca à tarde e o estresse de ficar o dia todo na escola, sem descanso. Por outro lado, muitos pais justificam a entrada no kindergarten como um rito de passagem para a “escola de verdade”, na 1a. série. Dizem que o kindergarten é como se fosse uma creche pra crianças maiores, que não há imposições acadêmicas e que, claro, tem o fator econômico, já que os pais economizam na creche (que pode chegar a mais de CAD$1500 por mês aqui em Vancouver).
Claro que o fator dinheiro mexe, e muito, com nossas convicções. Mas é um ano. Não estamos falando de gastar uma fortuna por mais 10 anos, mesmo porque apesar da escola ser gratuita, ainda há o “after school program”, para crianças de até 12 anos, cujos pais trabalham o dia todo e não podem buscá-los às 3 da tarde. E isso também custa dinheiro, na faixa de CAD$400 por mês.
Vou observando a pequena ao longo deste ano e ver como ela amadurecendo. Pode ser que até ano que vem, eu mude de idéia e ache que ela está pronta pra começar a escola “de verdade”…

E a escola?

Com 3 anos, Valentina mudou de escola. Antes, ela ficava em uma creche, que funcionava na casa de uma senhora. Aqui, são chamadas de “home/family daycare”. São licenciadas, seguem toda uma série de regras do governo e são inspecionadas regularmente.

Na creche antiga, eram cerca de 10 crianças, entre 11 meses e 4 anos e meio. Turma mista, multi-série. 2-3 adultos (a dona, uma assistente e uma estudante de pedagogia) pra eles. A sensação é de casa mesmo. Todo mundo se conhece, turma pequena. Quando a Valentina começou lá, aos 10 meses e meio, era a solução ideal. Preço que cabe no bolso (embora caro, claro), um ambiente menor e sem a idéia de “escolinha”, que eu achava muito cedo. As vantagens eram grandes: perto de casa, fornecia toda a comida (de café-da-manhã e lanches ao almoço) e fraldas, então não precisava me preocupar com isso.

Valentina foi crescendo e, claro, super cheia de energia. Eu a pegava quase 6 da tarde e ela ainda a mil por hora, o que me fez pensar que eles não estavam gastando muita energia durante o dia. Juntando a isso, algumas coisinhas foram me incomodando (passeios ao McDonald’s sem avisar antes, foi lá que ela conheceu a pizza, o cachorro-quente e o miojo, alguns desentendimentos com a dona – me fazia sentir uma mãe de primeira viagem que não sabe de nada), e comecei a pensar que estava na hora de mudar.

Em dezembro começamos a adaptação na escola nova. Escolinha de verdade, nos moldes de como conhecemos no Brasil. As professoras são chamadas de Sra. (Miss Emma, Miss Suni e Miss Peache) e não é mais a “tia” (antes era a “tia” Noori). São bastante crianças, 25, o que implica em menos atenção individual e mais independência. Há um projeto pedagógico e tem muuita atividade, desenho, brincadeira livre, fantasia, circle time, passeios, playground. E sem TV (que era outra coisa que me incomodava também).

Tirei o mês de férias para poder me dedicar a isso. Lembro de como foi ruim a adaptação dela na primeira vez – Valentina estava em plena Ansiedade da Separação e eu não soube trabalhar isso direito; foram dois meses até o dia em que ela não chorou pela primeira vez ao deixá-la na creche.

As duas primeiras semanas foram péssimas, com ela chorando mesmo após a gente ficar praticamente a manhã inteira com ela. Depois vieram os feriados de natal e ano-novo e ela só voltou em janeiro. Mais uns dias de choro e no 3o. dia, ela simplesmente olhou pra mim e disse “tchau, mami”. Sem choro nem nada. E desde então tem sido assim, há um mês.

E tenho notado ela mais tranquila, com mais rotina… mais interessada em livros. Toda noite, temos lido de 3 a 4 livros antes de deitar, hábito que ela descobriu na nova escola. Ela mesma diz que gosta da escola. No final do dia, quando vou buscá-la, ela até briga pra não sair de lá (“I want to play with my amigos”). Claro que tivemos uns dois dias de meio-choro (coincidentemente nos dias em que ela não dormiu muito bem, acordou resfriada e de nariz entupido), mas depois passou, do nada.

Com sorte, lá ela ficará os próximos dois anos, pelo menos, até começar a escola “de verdade”…