E o post #200 é pra comemorar

Depois de anos lutando contra a água, crises feias de pânico, 1 ano de natação intensiva (sempre no nível 1), a minha pequena de 5 anos finalmente criou coragem pra pôr a cabeça debaixo d’água!! Nunca fiquei tão orgulhosa dela quanto na 4a. feira.
O orgulho dela mesma era contagiante. Eu só sorria, claro! E ela não conseguia parar! Foram 40 minutos com ela indo e voltando! De repente se abriu. Descobriu que pular na piscina é divertido. Que pôr a cabeça na água não é um bicho-papão. E olha só: é tão bom se sentir confiante e saber que consegue fazer algo pelo qual ela vem trabalhando há muuuito tempo!
Quem acompanhou a batalha por aqui sabe o quanto isso representa.
 
Eu mal me aguentava e só queria apertá-la e encher de beijos! Saímos pra comemorar no restaurante favorito dela, onde ela pediu um hambúrguer, salada e leite com chocolate. E claro, contou pra todo mundo que viu na frente. Hoje na escola, ela falou pra todas as professoras. Mesma coisa na aula de patinação. 

Up and running

Depois de comer poeira e esquecer de regularizar o domínio antigo do blog, acho que agora vai. Era pra ter feito tudo em fevereiro, renovado o domínio e daí feito a transferência pro novo host.

Obviamente que fiz pela metade e esqueci o resto. Esses dias só, que me dei conta. Como não consegui arrumar a transferência do GoDaddy pro Bluehost, fiz o caminho mais (ou nem tanto) fácil. Tinha direito a um domínio novo, di grátis, então preferi recomeçar do zero.

Domínio novo, mas o blog continua o mesmo. E viva o backup! 🙂

Há 11 anos, numa 6a. feira….

Há 11 anos, numa 6a. feira, 21 de fevereiro, eu embarcava para a viagem que ia mudar minha vida. Tinha terminado a faculdade e resolvi estudar inglês para conseguir emprego melhor na volta, que seria 5 meses depois. Estudei inglês, terminei o curso e… não voltei. Quis conhecer mais essa cidade que me prendeu desde o primeiro dia. Foram 3 anos até virar residente permanente e depois, cidadã canadense. São 11 anos que me mudaram como jamais imaginei. 11 anos de luta, de saudades da família, que até dói. 11 anos depois e ainda me confundindo no inglês. As recompensas não podiam ser melhores: conheci a pessoa que mais amo e tenho uma pequena que é a minha vida. Foi fácil essa caminhada? Não! Mas não me arrependo nenhum instante de ter levado meu passaporte ao Consulado Canadense com aquele pedido de visto que definiu meus caminhos.

Seja bem vindo, 2014

Por favor, seja mais gentil comigo este ano.

Não me faça ficar acordada na cama sem conseguir achar uma posição para dormir sem dor.

Não me faça faltar no trabalho porque estou muito cansada para acordar ou porque estou exausta da rotina matutina de preparar almoço, dar café-da-manhã, me arrumar, trocar minha filha, deixá-la na creche, correr pra pegar o trem na hora.

Não me faça perder eventos sociais porque eu simplesmente não tenho vontade de ir de tão cansada que estou, a ponto de não conseguir tirar o pijama velho e colocar uma roupa decente.

Não me faça uma pessoa irritada o tempo todo, desconto na família toda a frustração que não consigo trabalhar.

Não me faça odiar tanto meu trabalho.

Me faça uma alma gentil, como eu era antes. A que eu conheço, e não esta brava, cansada e irritada que me substitituiu.

Seja gentil com meu corpo e minha pele; ela não precisa ser tão sensível assim. Minhas emoções já são demais.

Me ajude a achar um caminho para fazer algo que me deixe feliz.

Ajude minha filha a crescer saudável, feliz e engraçada como ela sempre é.

2014, você acabou de nascer. Me deixe ajudá-lo a crescer bem.

E o dia dela está chegando…

Quando a gente é criança, não tem nada mais divertido que aniversário, né?

Imagina, então, quando se faz “uma mão cheia de dedos”? Valentina está que não se aguenta.

Ontem nevou por aqui. Depois de um outono lindo, com muito sol e sem chuva, pegamos um final-de-semana bem frio (com sensação térmica na casa dos -19) e agora, começou a nevar. Coisa pouca, mas o suficiente pra deixar a criançada feliz.

Daí estamos tendo as pérolas pré-5 anos:

Valentina vendo a neve ontem cedo, ao sair de casa:

-“Mami, is my birthday today?”  (mami, é meu aniversário hoje?)
-“Não, Valentina, seu aniversário é na próxima segunda-feira. Daqui 1 semana!”
-“Yeah, meu NAVISÁIO é no next monday!! Is it going to snow?”  (yeah, meu aniversário é na segunda que vem! Vai nevar?)

Neve > aniversário, pelo jeito.

E hoje à noite…

“For my birthday, I want a Barbie boy!”  (pro meu aniversário, eu quero um menino Barbie)
“A Barbie boy? His name is Ken, Valentina!”  (Menino Barbie? O nome dele é Ken, Valentina!)
“So I want a Ken Barbie boy!” (Então eu vou querer um menino Barbie Ken!)

E por aí vamos. Ela está tão querida, tão independente. Ter ido pra escola este ano só fez bem a ela. Recebi o boletim dela semana passada e só tem coisa boa. E quando não é tão bom, a gente vai trabalhando pra melhorar.

Ela é uma personagem nova a cada dia. Um dia vai de chapéu de urso pra escola, no outro, coloca a saia de bailarina. Hoje é noiva e amanhã será batgirl. E ela vive feliz! Gosta de curtir as pequenas coisas em casa, como um chocolate quente no fim de um dia frio, desenhar mil coisas e pendurar pela casa, deitar na cama pra ler livros (nosso ritual de toda noite), de sair no sábado de manhã pra aula de patinação no gelo, correr pelo parque, fazer carinho no Eithor, aprender, aos poucos, as letras e os sons, e perguntar toda hora como se escreve isso ou aquilo. Fazer desenhos cada vez mais detalhados, contar histórias da imaginação dela, brincar com as bonecas, os carrinhos, os pôneis, as princesas, Lego; e fazer de casa um lugar encantado com os mundos que ela cria.

O medo de lavar a cabeça passou. Ainda reclama de água no olho ou no ouvido, mas já lava bem. Inclusive pediu pra lavar nos últimos 3 dias, seguido! Ainda não pôe a cabeça dentro d’água, mas já está mais a vontade na piscina, não tão dura. Em compensação, no gelo, está super bem e na metade do nível, a professora já começou a passar coisas mais sofisticadas pra ela e os outros colegas. Em 5 aulas, ela já sabe levantar sozinha e ir andando pelo gelo. Está melhor que a mãe, claro.

Já reconhece mais de 20 fonemas e todas as letras do alfabeto. Devora livros, mesmo sem ler. Enche folhas e folhas de papel com seus escritos – letras aleatórias – e vem me perguntar o que ela escreveu.

A rotina está mais tranquila. Já nos acertamos, finalmente. Os pitis são cada dia mais raros e ela está conseguindo se expressar melhor e dizer o que sente.

Já vai fazer CINCO anos! Como diz a vovó, “uma mão cheia de dedos”! E não se aguenta de felicidade. E não, não quer bolo! Ela quer brigadeirão de aniversário (receita da vovó!!).

Por você, minha linda, eu faço tudo!

 

Dois meses de aula e algumas observações

Que não ia ser 100% tranquilo, eu já imaginava. A professora me chamou para uma conversa na 3a semana de aula. Acho que bati algum recorde. Aparentemente, como toda criança de 4 anos e meio, Valentina tem opiniões muito fortes. Sabe exatamente o que quer. E o que acontece quando a professora fala para ela fazer algo que não quer ou pede para ela parar alguma coisa? Vai pro canto, cruza os braços e diz que odeia a escola, a professora e todo mundo. Bem típico. Mas o que me chamou a atenção na conversa foi ver que a professora não estava reclamando e sim, querendo conhecer mais da Valentina. Como ajudá-la a fazer transições de uma atividade para outra, como trabalhar isso dela reclamar do mundo…

Valentina é uma criança que precisa de tempo para se adaptar a uma nova rotina. Uma transição de atividades, por exemplo, requer bastaaante aviso prévio (o velho “mais 5 minutos”). Ela chorou nas primeiras semanas de aula, quando caiu a ficha que ali seria o novo cantinho dela. De manhã, ela prefere ficar na creche da escola (que vai levá-la pra sala), onde tem menos crianças, a ir pra área coberta (onde estão todas as outras crianças) onde esperamos o sinal tocar. E isso porque a escola é pequena. São apenas 8 salas, com cerca de 18-20 alunos em média.

Mas passados quase 2 meses de aula, posso dizer que estou feliz com a escolha que fizemos. Ela está feliz na escola, reconhece os amiguinhos no meio da rua, fala com todo mundo, conhece as rotinas por lá. Ainda estamos trabalhando na parte de lembrar de pegar as coisas: quase todo dia eu vou caçar um casaco, uma garrafa de água ou um pote. Ele tem adorado trazer livros da bilbioteca da escola, está super empolgada, escrevendo letrinhas em todos os cantos da casa, desenhando um monte. Aliás, essa pré-alfabetização tem me encantando, vou escrever com mais calma sobre isso depois.

Hoje recebi um email da professora contando pros pais como tem sido a rotina deles e o que eles estão fazendo em aula. Simplesmente adorei. Muitas atividades práticas, muito contato com natureza, atividades interessantes e diferentes. Acho que fizemos a escolha certa ao colocá-la no programa do Reggio Emilia. Tem como não amar?

“Nós tivemos um outubro movimentado e cheio de diversão! Estudantes na Divisão 6 estiveram ocupados aprendendo sobre o medidor de humor, os padrões em matemática, investigando lesmas, engajando-se em atividades de Halloween e divertindo e desfrutando o tempo de exploração!

Medidor de humor
Estamos aprendendo sobre o medidor de humor como uma ferramenta para nos ajudar a identificar os sentimentos em nós mesmos e nos outros. Os alunos estão aprendendo sobre os sentimentos que correspondem a cada zona de cor do medidor de humor e estão aprendendo a identificar qual a zona que estão dentro.

Investigação sobre lesmas
Depois que um aluno trouxe um caracol para compartilhar com a turma, os alunos mostraram interesse em caracóis e lesmas. Temos um viveiro de lesmas na sala, com cerca de 5 lesmas, e começamos nossa investigação pensando em algumas perguntas sobre o que os alunos queriam aprender. Os alunos investigaram as partes de uma lesma, o que elas gostam de comer, sua gosma, e os lugares que elas gostam. Eles notaram ainda os ovos que as lesmas que colocaram no viveiro. Foi muito emocionante! Nós vamos continuar nossa investigação. Pergunte ao seu filho o que aprendeu até agora sobre lesmas!

Padronização
Em matemática, os alunos tornaram-se experts em padrões! Eles participaram de várias estações de matemática onde fizeram padrões com diferentes materiais como botões de bingo, laços de frutas, selos do Dia das Bruxas, massinha e pedras/shells/botões. Os alunos estavam muito empenhados nas estações e me mostravam periodicamente os diferentes padrões que eles fizeram durante a exploração com Lego e blocos.

Explorando a escola e a área externa
Os alunos têm tempo de exploração todos os dias. Eles têm sido muito criativos com suas brincadeiras durante estes momentos. Eles gostam de construção, fazendo artes e ofícios e de brincar de teatro. Recentemente, alguns alunos fizeram instrumentos usando copos, pratos de papel, elásticos e rolos de papel toalha. Eles gostaram de fazer música com seus instrumentos!

Saímos duas vezes por semana para brincar na floresta. Tivemos muita sorte com o tempo ao longo do mês de outubro. Os alunos se divertiram fazendo pilhas ou coletando folhas, e inventando seus próprios jogos. Vamos continuar a ir lá fora, faça chuva ou faça sol. Veja se seu filho está vestido apropriadamente!

Halloween Fun
Casa Assombrada
Depois de colocar algumas caixas de papelão, isopor, e algumas bugigangas e adereços de Dia das Bruxas, os alunos trabalharam em conjunto para criar uma casa assombrada. Cada aluno da turma tinha uma parte da atividade. Alguns alunos fizeram fantasmas e árvores, bem como outros desenhos de Halloween para anexar à casa, enquanto outros cortaram janelas e ajudaram a colocar as caixas juntas com fita adesiva. Quando a casa ficou pronta, cada aluno recebeu um pedaço de teia de aranha para adicionar um toque final a sua criação.

Os cookies do Dia das Bruxas
No dia 29 de outubro, fizemos ​​biscoitos de Halloween! Os alunos esperaram pacientemente por sua vez para adicionar os ingredientes e misturá-los. Eles escolheram formatos diferentes de Halloween para os biscoitos. Pergunte ao seu filho que tipo de biscoito que ele/ela fez! Muitos alunos ficaram muito satisfeitos com a forma como o seu bolinho tomou e aproveitaram cada migalha!

Dia das Bruxas
Foi ótimo ver tantas fantasias maravilhosas e os alunos adoraram exibí-los durante o nosso desfile de fantasias! Os alunos passaram o dia decorando abóboras com uma variedade de materiais, alternando estações com as outras classes de Kindergarten e 1a. séria, onde fizeram esqueletos de cotonetes, brincaram com jogos de halloween e investigaram como é uma abóbora por dentro. Espero que todos tenham tido um feliz Dia das Bruxas!”

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Pasta decorada por ela mesma.

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O que seu filho faz durante o dia?

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Hoje cedo vi esse desenho e notei que é exatamente assim aqui em casa. Vou pegar a Valentina na escola e sei que ela fez um monte de coisa porque a) a roupa volta imunda e b) eu vejo o programa do dia. Mas vai perguntar pra ela o que ela fez. A resposta é sempre um “não sei” ou “nada”.

A dica que funciona aqui em casa é sempre fazer pergunta específica. Perguntar genericamente “o que você fez hoje” não funciona. Eu pergunto sempre se ela brincou, se comeu o almoço, se leu um livro, se correu muito, ou seja, dou exemplos do dia-a-dia.

Claro que os pais ficam de cabelo em pé. Oras, como não fez nada? O que a professora está ensinando? Como assim meu filho não está prestando atenção?

Na verdade, não é nada disso. Às vezes, é tanta informação para a criança processar que ela não sabe nem o que responder. Então solta um “não sei”. Já pararam pra ver o tanto de coisa que a criança tem durante o dia todo na escola? É livro, colegas novos, playground, hora do almoço, atividades dirigidas, contação de história, o barulho do alarme, lembrar de pegar as coisas, casaco, bota, tênis pra usar dentro da sala, guardar tudo sozinha, lidar com as frustações e os problemas na sala, barulheira de um monte de criança falando e gritando ao mesmo tempo. Ufa, só de escrever isso eu cansei. Então imaginem alguém nesse contexto todo santo dia. Não é à toda que a criança chega em casa à noite e não quer nem falar sobre o que fez. O cansaço mental é demais.

Então, se você quiser saber o que seu filho anda fazendo e aprendendo, o melhor é a) pergunte à professora (em tempos de email, melhor coisa!) e b) deixa a criança descansar e mais tarde, naquele horário gostoso juntinho, pergunte coisas simples do tipo “você leu um livro hoje?” e coisas assim. Vai ver como a criança estará bem mais disposta a conversar!

 

 

 

O que é o Reggio Emilia?

Aqui a entrada no kindergarten é quase como um rito de passagem para a criança. Significa a entrada na escola de verdade, “escola de criança grande”, como diz a Valentina. Todo ano é a mesma coisa: quem tem filho pequeno sempre pergunta pra outra mãe/outro pai onde o filho vai estudar, que tipo de programa vai fazer.

O meu distrito escolar tem uma boa variedade de programas: normal (com as aulas em inglês), imersão em francês, imersão em mandarim, Montessori, Reggio Emilia, International Baccaleraute (para os alunos mais velhos), programas para crianças super-dotadas, programas para crianças que acabaram de se mudar e não falam inglês e vários outros. Comparando com outros distritos, posso dizer que tenho sorte neste quesito.

Já comentei aqui que a Valentina vai fazer o programa do Reggio Emilia. Depois de muito pesquisar, olhar as minhas opções na região, ver que a escola mais perto não atende ao que quero, resolvemos colocar nossas fichas neste programa novo. Começou ano passado e só tem duas escolas em toda a Grande Vancouver com Reggio Emilia, a que ela vai e outra em Burnaby.

O que é o Reggio Emilia? A abordagem de Reggio Emilia para a educação está comprometida com o estabelecimento de condições para a aprendizagem, que irá melhorar e facilitar a criação de “seus próprios poderes de pensar, através da síntese de todas as linguagens expressivas, comunicativas e cognitivas” das crianças.

É um sistema que se presta a: o papel da colaboração entre crianças, professores e pais, a co-construção do conhecimento, a interdependência entre a aprendizagem individual e social e do papel da cultura na compreensão dessa interdependência. (Baji Rankin, 2004).
No coração deste sistema é a imagem poderosa da criança. Educadores de Reggio não vêem as crianças como recipientes vazios que exigem o preenchimento com os fatos. Ao contrário, eles vêem as crianças como cheio de potencial, competente e capaz de construir suas próprias teorias. Os direitos das crianças escritos por Loris Malaguzzi melhor descreve como as crianças são vistas.
As crianças têm o direito de serem reconhecidas como sujeitos de direitos individuais, legais, civis e sociais, como a origem e os construtores de sua própria experiência, e, portanto, participantes ativos na organização de suas identidades, habilidades e autonomia, através de relações e interações com seus pares, com os adultos, com ideias, com objetos, e com os eventos reais e imaginários de mundos intercomunicantes. Tudo isso ao estabelecer as premissas fundamentais para a criação de “melhores cidadãos do mundo” e melhorar a qualidade da interação humana, também credita crianças, e cada criança, com uma extraordinária riqueza de habilidades inatas e força, potencial e criatividade. Sofrimento irreversível e empobrecimento da criança é causada quando esse fato não é reconhecido.
A partir deste ponto de referência, reconhecemos o direito das crianças a perceber e expandir seu potencial, colocando grande valor na sua capacidade de socializar, recebendo seu carinho e confiança, e satisfazer as suas necessidades e desejos de aprender. E isto é tanto mais verdade quando as crianças são tranquilizado por uma aliança efetiva entre os adultos em suas vidas, os adultos que estão sempre prontos a ajudar, que colocam maior valor na busca de estratégias construtivas de pensamentos e de ação do que na transmissão direta dos conhecimentos e habilidades. Estas estratégias construtivas contribuir com a formação da inteligência criativa, pensamento livre, ea individualidade que é sensível e consciente, através de um processo contínuo de diferenciação e integração com outras pessoas e outras experiências. O fato de que os direitos das crianças são reconhecidos como os direitos de todas as crianças é o sinal de uma humanidade mais realizado.

Um sonho de escola

Esta semana a Valentina começou a escola. E, olha, preciso dizer que fiquei impressionadíssima com as salas e o espaço aberto. Excelente!

Nestes dias ela teve poucas horas dentro da sala, parte do chamado “gradual entry” (adaptação gradual). Como é? Para as crianças do kindergarten, a pré-escola no Brasil, a primeira semana é para conhecer a escola, os colegas, os professores e, aos poucos, se acostumar com a nova rotina.

Até dois anos atrás, a maioria das escola tinha kindergarten somente em meio-período, das 9h às 12h. Agora, todas as escolas públicas da província têm kindergarten em tempo integral, das 9h às 15h. Isso implicou em, claro, aumentar a capacidade das escolas, acostumar os pequenos a passar o dia lá, sem soneca, com almoço por lá mesmo. Para as crianças que já ficavam em creche, como a Valentina, a mudança não é tão complicada, talvez, com exceção da soneca, que agora ela terá que cortar. As crianças que faziam apenas o preschool (jardim) ou ficavam em casa com um dos pais, terão um rotina completamente pela frente. Por isso, essa semana especial.

Cada escola tem um horário diferente. Na da Valentina, como está sendo: no primeiro dia foram só 45 minutos para todos alunos, do pré até a 5a. série. Apenas para conhecer a escola e pegar as primeiras orientações. Para os alunos da 1a. série em diante, os outros dias já eram com aulas normais, embora bem tranquilas até a semana que vem. Para ela, recebemos um calendário com os horários em que ela iria para a escola. Um dia foi meia hora na sala, com os pais juntos. No outro, 1 hora, sem os pais e aumenta gradativamente até a 4a feira que vem, quando as turmas estarão definidas e nós saberemos qual será a sala e a professora definitiva dela.

As escolas públicas não tem uniforme, apenas as particulares e as católicas (também particulares, mas a um preço bem mais acessível). Tenho sorte de morar num distrito escolar com MUITA opção de escola. Tem Montessori, imersão em francês ou mandarin, homeschooling, entre outros. Como o programa que a Valentina vai é novo e só tem na escola dela, o investimento lá está sendo grande. O parquinho está novo, acabou de ser reformado, as salas foram mudadas todas no ano passado, com móveis e decoração baseados no projeto do Reggio Emilia.

A escola é uma das menores do distrito. Ano passado recebeu somente 140 alunos. Havia turmas de 9-12 crianças, apenas. Como o número de matrículas, vinha diminuindo ao longo dos anos, a Secretaria de Educação escolheu a Meadowbrook para este projeto. Na província inteira, há duas escolas com o programa Reggio Emilia, a da Valentina e uma em Burnaby.

Alguns dos elementos da sala:

Elementos da sala

 

 

 

 

 

 
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Um palco, no meio da sala:

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Cantinho de leitura e futura área com as fotos de cada família:

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O natural e a tecnologia: Blocos de madeira para atividades diversas e o quadro-branco chama-se Smart Board. É como se fosse um tablet, onde a professora e as crianças podem escrever com canetas especiais ou o dedo. O material pode ser salvo no computador e enviado aos pais por email.

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Urso de pelúcia gigante do Canada Post no meio do corredor da escola:

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Um dos três parquinhos e a escola láááá atrás.

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Amanhã será um novo dia…

Amanhã vai ser uma dia muito especial na vida da minha pequena. Primeiro dia de escola! Primeiro dia de Kindergarten (ou o pré, no Brasil).

É praticamente um rito de passagem por aqui, a entrada da criança no mundo da escola de verdade. A primeira semana será de adaptação (dela e da gente, obviamente). Serão poucas horas de aula até a semana que vem, quando ela terá aula o dia todo.

Não sei quem está mais nervoso, eu ou ela, rs. Acho que pra ela a ficha ainda não caiu. Estamos conversando bastante sobre a escola nova, amiguinhos novos, como vai ser tudo diferente. Novas regras, rotinas… será que ela vai se dar bem? Ela será a mais nova da sala, já que faz 5 anos só em dezembro.

Como será que vai ser?

A fada das “petas”

Essa noite tivemos uma visita muito especial aqui em casa: “the peta fairy”, ou  a fada das petas (como ela chama a chupeta).

Na noite de sexta para sábado, conversamos, eu e ela, sobre a chupeta. Com 4 anos e meio, ela não dava nem sinal de que iria largar a “peta” sozinha. Quando eu tentava tirar da boca dela à noite, ela simplesmente pulava na minha mão pra pegar a chupeta. E isso em sono profundo. Era um tal de acordar à noite por causa disso que já estava me cansando. Sem contar que já está afetando a arcada dentária dela, significando ter que usar aparelho no futuro.

Então, comecei, como quem não quer nada, a perguntar porque ela gostava tanto da peta. Ela disse que precisava ter algo na boca, senão a boca ficava vazia. Daí foi a minha deixa para contar a história (inventada na hora, claro) da fada da chupeta.

A fada vem em casa à noite, quando todo mundo está dormindo. Ela pega as chupetas e, em troca, deixa algo que a criança quer muito, além de uma carta. Na primeira noite, a fada deixou uma carta explicando as regras pra Valentina. Nisso, consegui uma noite de aviso prévio, assim ela podia usar a chupeta, sabendo que seria a última noite.

No dia seguinte, lemos a carta juntas e escrevemos uma resposta. Valentina pediu um kinder ovo, um coelho de chocolate e uma Barbie. No final do dia, fui até a loja, comprei a Barbie com um cavalo, que ela adora. À noite, ela apagou no sofá enquanto assistia um desenho. Foi de chupeta mesmo. Como seria a última noite, não me importei e tirei depois que a coloquei na cama.

De madrugada, ela acordou pedindo a chupeta. Quando disse que a fada iria levar embora, ela chorou um choro tão sentido, que me fez perguntar se estava fazendo o certo. Pediu mais um pouco, chorou mais um pouco e no meio do choro, disse “bye bye peta”, aos prantos. E dormiu. Juro que nesta hora, quase desisti. Mas fui firme e ela ficou bem o resto da noite.

Hoje ela acordou com as surpresas. O chocolate que ela pediu tanto e a boneca. Parecia criança no natal. Durante o dia a relembrei algumas vezes que não tinha mais peta e ela ficou ok. Vamos ver agora à noite. Já já é hora dela dormir e, pela primeira vez, não terá chupeta para ajudá-la a pegar no sono. Com sorte, não teremos tanto choro….

 

 

 

 

Educação sexual para crianças (ou como morrer de vergonha em público)

Papo da Valentina, em pleno vestiário da piscina (em inglês, claro, porque esse tipo de pérola tem que ser pra todo mundo ouvir):

– Mamãe, quando o médico cortou a sua barriga, doeu muito?
– Como assim, Valentina?
– Sim, quando ele cortou pra eu sair da sua barriga!
– Não, Valentina, o médico não cortou a minha barriga.

Ela pára uns segundos, arregala os olhos e conclui:
– Então eu sai sozinha????

Só sei que eu (e todo mundo no vestiário, claro) ria tanto que não consegui nem responder. E provavelmente devo ter ficado roxa de vergonha. Por que nessas horas ela não pergunta isso em português, hein?

Tempo de primavera

Nunca, em 10 anos, acho que tivemos uma primavera tão ensolarada e seca como a deste ano. Deu final de março e já se via as flores pelas ruas. Como estou sem câmera, tiro foto com telefone mesmo. A vantagem é que dá pra compartilhar na hora, né?

Cerejeiras, tulipas, magnólias, rosas. Todas as cores, todas as formas, uma mais linda que a outra.

Agora mesmo, estou no trem a caminho de casa e a beleza do caminho é incrível. Água de um lado, um parque, e a montanha cheia de árvores (e um pouco de neve no topo!) do outro. E o sol batendo. É nessas horas que eu vejo como sou abençoada de morar aqui. Esses dias lindos compensam a chuva do resto do ano, com certeza (apesar da gente reclamar disso, claro).

De uma semana pra cá, a Valentina tem pedido pra ir pra creche de shorts. Tá sol, mas tá frio, né? Tanto pediu que hoje eu cedi e deixei ela escolher. Acho que ela nunca foi tão feliz pra creche (tirando os dias que ela vai de princesa). E lá estava ela: shorts, camiseta que ELA escolheu na loja, boné, casaco e mochila. Parecia uma adolescente e tão linda!

Definitivamente sol faz pra bem pra alma.

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Tempo de céu cheio de flores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Foto by Valentina 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de cerejeiras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo dos pássaros voltarem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de novos brotinhos nascerem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de rosas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Tempo de magnólias

 

 

Brasil de novo?

A canadense que não aguenta mais usar calça e casaco:
“Mamãe, can I usar meu shorts no Brasil?”
“Claro, Valentina”
“Mamãe, and can I usar minha chinelo no Brasil também?”
“Sim”
“Yayyyyyy”

Só 5 dias pra irmos de novo para terras brazucas. Depois de 4 anos sem ir, e de repente ir duas vezes no mesmo ano é um sonho, né?
E dessa vez, vamos todos, Valentina, Kam e eu. Monsieur Eithor ficará com amigos (ô saudades!). A Valentina tá que não se aguenta. Todos os dias pergunta dos primos, dos tios, da avó, dos bichos todos (gato, cachorro, cavalo e até uma tartaruga), diz que vai dar abraço em todo mundo.
Vão ser três semanas, mas tão curtinhas…. queria poder ficar mais um pouco!

Amar a mamãe, pra quê?

Valentina e eu conversando hoje cedo. Ela queria pôr uma blusa que estava pequena. Expliquei que ela tinha crescido e tals:
-Mami, when I grow up, I want to be a mamãe!
-Você quer ser uma mamãe? Por quê? (eu, já esperando AQUELA declaração de amor)
-Because I can cook eggs!

(pelo menos ela adora meu ovo mexido, né?)

A barriga

Valentina anda super interessada em assuntos do corpo. Provalvemente, porque aprendeu sobre mamíferos e agora está aprendendo sobre o corpo humano. Ela sabe que estava na minha barriga e que a barriga era grande. Sabe que os mamíferos tomam leite do peito da mãe e que humanos, cachorros, gatos e cavalos são mamíferos.

Outro dia, estávamos deitadas na cama, lendo um livro. Ela começa a cutucar minha barriga e solta:
– Mami, I love sua barriga!
– Por quê, Valentina?
– Because I was inside there! (porque eu estava lá dentro!)

Ainda bem que não perguntou como entrou lá nem como saiu, ufa!

Minha pequena leitora

Uma coisa que eu tenho ficado impressionada com a Valentina, é como ela já reconhece tantas letras. Ela adora livros e gibis da Mônica. Toda noite, são 4-5 livros (ou até mais, dependendo do poder de enrolação dela).
Outro dia, estava sentada com ela, e comecei a ver se ela sabia quais letras eram aquelas. E não é que ela reconheceu uns 80%? Isso porque ela não está sendo alfabetizada ainda. Na escola, eles apresentam as letras e os sons que ela fazem (“m sounds mmmmm”). Acho esse jeito muito interessante. O poder de retenção é incrível e, aparentemente, todos os brinquedinhos aqui ensinam do mesmo jeito (o som que cada letra faz), nada de c+a, ca e s+a, sa = casa.
Em setembro, ela começa a escola. Embora eu ainda tenha minhas incertezas sobre isso, eu noto, a cada dia, o quanto ela está se desenvolvendo e interessada. Não tenho dúvidas de que, quando eu menos notar, ela vai estar lendo sozinha. Ela pega os livros, fica horas com eles e é capaz de contar a história baseado no que ela vê nos desenhos. Quando pega o iPad, vai direto nos joguinhos de alfabeto.
Quem a vê com um livro, jura que ela tá lendo tudinho. Fica tão concentrada! Será que vai ser leitora voraz como eu?

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A TV é só minha

Ontem, estávamos em casa. Você no meu iPad e eu, vendo um programa na TV. Daqui a pouco, começou a pedir pra ver seu desenho favorito, Toopy & Binou. Seu pai e eu argumentamos que você sempre vê TV e que agora era a minha vez. Sua resposta?
– I no vê TV. You vê all the time. I never have a turn!
– Valentina, você sempre assiste, agora eu estou vendo este programa e, quando acabar você pode ver.
– You not vendo TV. You are on your phone!

(não, não estava no telefone, estava fazendo o cachorro-quente dela do jantar).

Tudo culpa do sol

Me preparando pra sair de casa, hoje cedo:

‎-Valentina, olha a hora! Estamos atrasadas!
-Why, mami?
-Por quê? Porque você não queria acordar, oras. [levei VINTE minutos pra arrancar a Bela Adormecida da cama]
-Mas, mamãe! O sol não quer acordar!
-Nem você, né?
-Não.

Não sei a quem puxou, sabe. Parece até a mãe, que adora dormir.